Governo não reconduz ex-chefe de gabinete de Lula ao conselho da Terracap

Presidente Luiz Inácio Lula da Silva - © Foto: Ricardo Stuckert / PR
Governo federal não reconduz Marcola ao conselho da Terracap após saída da gestão federal e polêmica com empréstimo de lobista
O governo federal decidiu não reconduzir Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, ex-chefe de gabinete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), ao conselho administrativo da Terracap, empresa pública do Distrito Federal. A decisão foi tomada após o término de seu mandato em abril deste ano e sua posterior saída da gestão federal. O mandato de Marcola no conselho havia encerrado em abril, mas ele permaneceu no cargo provisoriamente enquanto o Palácio do Planalto não formalizava uma indicação substituta. A Terracap, diante da ausência de definição, estendeu sua permanência até que houvesse uma resolução oficial. O Planalto confirmou a substituição, justificando que a medida decorre da saída de Marcola da administração federal.
O ex-chefe de gabinete deixou o cargo em 21 de julho para integrar a equipe de campanha à reeleição do presidente Lula. "Os assentos de representação da União em conselhos públicos são destinados a servidores públicos formalmente nomeados, observados os requisitos legais e normativos aplicáveis. Desse modo, todas as vagas ocupadas por pessoas que deixam a administração federal são sempre substituídas", afirmou o Planalto em nota. O governo não divulgou o nome do sucessor de Marco Aurélio no conselho. A Terracap é uma estatal vinculada ao governo do Distrito Federal responsável pela administração de terras e imóveis públicos no DF. A União tem o direito de indicar membros para o conselho por ser acionista da empresa. Marcola integrava o grupo administrativo da estatal desde julho de 2023 e já havia sido reconduzido ao cargo uma vez durante o atual governo. O nome de Marcola ganhou destaque no noticiário recente após a revelação de que ele recebeu pagamentos da empresária Roberta Luchsinger.
Amiga de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Lula, Roberta é apontada como lobista em investigações da Polícia Federal (PF) relacionadas a fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). A PF apura se Roberta e Lulinha cometeram atos de corrupção e se teriam atuado em conjunto com Antônio Camilo Antunes, conhecido como "Careca do INSS". Marcola admitiu ter recebido os repasses de Roberta Luchsinger, mas garantiu que as transações se referiam a um empréstimo pessoal e eram totalmente legais. Em nota distribuída pelo PT, o ex-assessor declarou: "Recebi com surpresa a matéria que trata um empréstimo pessoal contraído e já quitado como algo ilegal. Nunca tive nenhuma relação que caracterize qualquer ilegalidade no exercício de minha função".
O presidente Lula, por sua vez, minimizou o episódio, questionando publicamente quem nunca havia pedido um empréstimo. Após a repercussão do caso, Marcola decidiu deixar a equipe de campanha do presidente Lula. Conforme apurado pela CNN, a iniciativa partiu do próprio Marcola para "preservar Lula e a campanha". A direção da campanha, no entanto, tinha a intenção de mantê-lo em suas funções de coordenação da agenda eleitoral, avaliando que não havia evidências de irregularidades no empréstimo e que era necessário respeitar a "presunção de inocência". O caso gerou repercussão política, e o PL prepara ação no STF para investigar Marcola. Marco Aurélio Santana Ribeiro tem uma longa trajetória junto ao PT e ao presidente Lula desde 2017, quando atuou como coordenador-executivo das agendas das caravanas de Lula pelo Brasil, permanecendo no posto até 2018. Durante o período em que o presidente esteve preso em Curitiba, Marcola foi um dos seus principais assessores, responsável pela interlocução com familiares e aliados, de abril de 2018 a novembro de 2019. Na atual gestão, iniciada em 2023, Marcola compôs a equipe desde o início, exercendo a chefia do gabinete presidencial, organizando a agenda do presidente, auxiliando na escrita de pronunciamentos e servindo como ponte direta de contato com Lula.