Marcelo Aro volta à chapa de Simões em MG

Foto: Câmara dos Deputados
Após acusações de traição entre Zema, Simões e Marcelo Aro, União Progressista retorna à chapa do governador mineiro
A federação União Progressista voltou a integrar, nesta quarta-feira (5/8), a chapa do governador Mateus Simões (PSD), encerrando um rompimento que durou poucos dias e recolocando Marcelo Aro (PP) no grupo político de Romeu Zema (Novo). A reaproximação ocorreu após uma sequência de ataques públicos entre os antigos aliados, com acusações de traição, decepção e articulações "pelas costas". A crise teve início quando Marcelo Aro, que era cotado para uma vaga na chapa de Simões, decidiu romper com o grupo para tentar viabilizar uma candidatura ao governo de Minas com apoio de parte da direita — PL e Republicanos —, ocupando o espaço que seria do senador Cleitinho Azevedo, que enfrentava resistências internas sobre concorrer ao Executivo mineiro.
O anúncio da mudança de planos de Marcelo Aro pegou Zema e Simões de surpresa. Ambos chegaram a avaliar publicamente que o ex-secretário havia traído e decepcionado os acordos que estavam estabelecidos entre eles. Nessa quarta, contudo, o PL decidiu por uma chapa pura e indicou Flávio Roscoe ao Palácio Tiradentes, retirando de Marcelo Aro a possibilidade de assumir a vaga ao governo. Com isso, ele recorreu a Simões e voltou a disputar uma das vagas ao Senado pelo grupo do atual governador.
No dia 30 de julho, após Marcelo Aro deixar a disputa ao Senado para tentar viabilizar uma candidatura ao governo de Minas, Mateus Simões afirmou ter ficado decepcionado com o antigo aliado. "A decepção acaba perseguindo a gente na política, porque a gente lida com gente de todos os tipos. Foi meu aluno (…). Foi abrigado no governo durante quatro anos (…), mas anunciou que está virando as costas para o projeto", declarou à época.
Simões também demonstrou preocupação com as motivações por trás da decisão. "Fico preocupado com os riscos que Minas Gerais passa a ter quando as pessoas estão dispostas a projetos de qualquer tipo por poder", afirmou. Horas depois, Romeu Zema publicou um vídeo endurecendo o discurso contra seu ex-secretário. "Essa traição do Aro é um dos problemas da política brasileira", resumiu. Segundo o ex-governador, as articulações feitas por Marcelo Aro em Brasília poderiam fortalecer adversários políticos. "O que o Aro andou fazendo em Brasília vai acabar abrindo a porta para os políticos vendidos voltarem a destruir Minas. Esses acordos pelas costas são a mesma velha política que quebrou Minas", declarou.
Após os ataques, Marcelo Aro evitou responder diretamente às críticas e afirmou que apresentaria sua versão dos fatos. "Vou mostrar o que aconteceu, como aconteceu. Vou mostrar as conversas, o que foi acordado, quais eram os compromissos", disse durante coletiva de imprensa. O ex-secretário disse ainda que caberia à população avaliar quem tinha razão. "Tenho certeza de que tanto a imprensa quanto a população vão fazer o seu juízo", finalizou. Até o momento, no entanto, Marcelo Aro não apresentou nenhuma informação sobre as discussões internas com a dupla. Poucos dias depois, a estratégia política mudou. Com a desistência da candidatura própria e o acordo firmado entre PSD e União Progressista, Marcelo Aro voltou ao grupo de Simões. A federação indicou Danilo de Castro (União Brasil) para vice na chapa do governador, enquanto Aro retomou o projeto de disputar uma vaga ao Senado.