Empresa investigada no caso de Lulinha tem R$ 55 mi em contratos com o governo

Empresa investigada no caso de Lulinha acumula R$ 55,7 milhões em contratos ativos com o governo federal
O filho mais velho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, é alvo de uma investigação da Polícia Federal (PF) por suspeita de tráfico de influência. O inquérito foi autorizado pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), e apura um suposto favorecimento à empresa de tecnologia 3Structure IT LTDA, que mantém contratos ativos com o governo federal somando mais de R$ 55,7 milhões. Segundo a decisão do ministro e o pedido da PF, Lulinha teria atuado para beneficiar a empresa em negociações com órgãos da administração federal.
A investigação também apura possíveis práticas de lobby em favor da companhia. Em nota, o advogado de Lulinha, Marco Aurélio Carvalho, criticou duramente a abertura do inquérito, classificando-o como uma "fishing expedition descarada". Segundo ele, não existem fatos concretos que justifiquem a apuração. "Pirotecnia, malabarismo eleitoral, tentativa clara de interferência de setores da PF nas eleições. Não há fato objetivo que justifique a instauração deste inquérito", afirmou.
Fundada em 2019, em Florianópolis (SC), a 3Structure IT LTDA atua no setor de tecnologia da informação e abriu uma filial em São Paulo em maio de 2023. Conforme dados do Portal da Transparência, a empresa possui quatro contratos vigentes com órgãos do governo federal, totalizando R$ 55.721.051,62. O maior contrato foi firmado em abril deste ano com o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, no valor de R$ 19.259.936,28, com vigência até 2031. O acordo prevê a implantação de uma solução de backup, incluindo instalação, migração de dados e transferência de conhecimento técnico. Outro contrato com o mesmo ministério foi assinado em dezembro de 2023, no valor de R$ 14.452.499,85, para a sustentação do ambiente analítico de dados da pasta, com validade até abril de 2027. A empresa também mantém um contrato de R$ 21.831.010,73 com o Exército Brasileiro, vinculado ao Ministério da Defesa.
Firmado em novembro de 2022 e publicado em janeiro de 2023, o acordo prevê o fornecimento de soluções de tecnologia para expansão da infraestrutura de armazenamento do Sistema de Telemática do Exército (Sistex). O quarto contrato, de R$ 177.604,76, foi celebrado com o Instituto Nacional de Educação de Surdos (Ines), ligado ao Ministério da Educação, para fornecimento de uma solução de tecnologia da informação, permanecendo vigente até abril de 2029. De acordo com levantamento da CNN Brasil, a empresa já recebeu R$ 46.920.129,96 em pagamentos do governo federal, valor que engloba despesas, empenhos e notas fiscais, não se restringindo apenas aos contratos atualmente em vigor.
Além deste inquérito, Lulinha também é investigado pela Polícia Federal em outro procedimento que apura suspeitas de tráfico de influência e corrupção envolvendo contratos da Dataprev na área de tecnologia. A suspeita é de que ele teria utilizado sua condição de filho do presidente para favorecer empresas parceiras. Segundo a investigação, a abertura do inquérito deverá ser seguida por pedidos de quebra de sigilos. A 3Structure IT LTDA se manifestou por meio da defesa de seu CEO, Cleber Ribas. Em nota assinada pela advogada Pollyana Soares, a empresa afirmou que todos os contratos com órgãos federais foram celebrados "com absoluta transparência", em conformidade com a legislação e sem qualquer tipo de intermediação. A defesa sustenta ainda que a contratação da empresa decorreu de sua capacidade técnica e da participação regular em processos licitatórios, e que os contratos já foram submetidos a auditorias do Tribunal de Contas da União (TCU).