Lula promete briga com o Congresso em 4º mandato

Presidente Lula em entrevista coletiva após o fim da Cúpula do G7 - © Ricardo Stuckert/PR
Em convenção do PT, Lula critica fundo partidário e promete enfrentar o Legislativo sobre emendas e prerrogativas do Executivo
Durante a convenção do PT realizada neste domingo (2/8), em São Paulo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva oficializou sua candidatura à reeleição e fez duras críticas ao fundo partidário e ao papel do Congresso Nacional. Em seu discurso a apoiadores, Lula prometeu "brigar" com o Poder Legislativo caso seja eleito para um quarto mandato. O presidente apontou o que chamou de "inversão" no controle do Orçamento federal, argumentando que deputados têm poder para indicar bilhões de reais enquanto o Executivo é obrigado a realizar cortes em áreas essenciais como saúde e educação. "A minha quarta Presidência é pra mudar muita coisa nesse País. Vai ter briga com emenda parlamentar. Vai ter briga com o papel que tem hoje o Poder Legislativo", declarou o petista.
Lula também demonstrou insatisfação com o modelo atual do fundo partidário, classificando-o como prejudicial à política brasileira. "Eu sou triste com a política de hoje. Esse negócio de fundo partidário não me agrada. Está levando os partidos à promiscuidade", afirmou. O presidente completou: "Tem partido que recebe R$ 1 bilhão, sem prestar contas ao povo brasileiro. Muitas vezes no Poder Executivo temos que cortar R$ 10 milhões de uma escola, de um programa de saúde".
Além das críticas ao fundo partidário, Lula abordou a questão da perda de prerrogativas do Poder Executivo, citando especificamente "o direito de indicar ministro da Suprema Corte". A referência é direta ao episódio ocorrido neste ano, quando o Senado rejeitou a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para o Supremo Tribunal Federal (STF), em uma derrota histórica para o governo petista. Sobre o tema, Lula foi enfático: "Eu não posso permitir que o presidente da República vá perdendo os seus direitos. Vai perdendo o direito de criar agência, de indicar ministro da Suprema Corte... Ou seja, daqui a pouco, qual é o direito que tem o presidente da República? Nenhum!". O discurso reforça a postura combativa que Lula pretende adotar em relação ao Legislativo caso conquiste um novo mandato nas próximas eleições.