Lula discursa em convenção e é oficializado candidato à reeleição

Foto: Ricardo Stuckert/PR
Lula discursa na convenção do PT em São Paulo, oficializa candidatura à reeleição e condena violência contra a mulher
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) discursou neste domingo (2/8) na convenção nacional do partido, realizada no Expo Center Norte, em São Paulo, que oficializou sua candidatura à reeleição. Em um dos momentos mais marcantes do evento, Lula fez uma declaração direta sobre violência de gênero: "quem bate em mulher não vota em mim". Durante o discurso, Lula foi incisivo ao abordar os casos de violência contra a mulher. "Quero criar uma sociedade que respeita mulher", afirmou o presidente, acrescentando: "Quando ele [homem] sentir raiva de uma mulher, ele tem que lembrar de onde ele veio: da barriga de uma mulher".
O presidente também defendeu seu histórico de governo como argumento para a reeleição. "O que motiva um governo nas eleições é seu legado. Quem não fez [nada], não tem o que prometer", declarou, ressaltando que não precisa "inventar nada" para convencer o povo brasileiro. A confirmação oficial da candidatura de Lula foi anunciada por volta de 10h pelo presidente nacional do PT, Edinho Silva. "Terminou nesse exato momento a nossa convenção oficial e, daqui a pouco, nós vamos dar início ao nosso ato político. Vamos celebrar essa construção política que é histórica, a construção política que vai reeleger o presidente Lula", disse Edinho Silva ao anunciar a homologação da chapa.
O candidato a vice na chapa, Geraldo Alckmin (PSB), foi amplamente elogiado por Lula durante o evento. "O Brasil nunca teve um ministro da indústria com a sua competência. É essa competência que faz você ser o meu vice", afirmou Lula sobre Alckmin, acrescentando ainda: "Se não fosse uma conversa que eu tive com Haddad, você não entraria na minha vida." Lula repete nestas eleições a chapa vitoriosa de 2022, com Alckmin como candidato a vice, que teve sua candidatura confirmada na convenção nacional do PSB em Brasília, na quarta-feira (29/8).
A convenção também contou com a participação de outros nomes relevantes da política nacional. A ex-ministra e candidata ao Senado por São Paulo Simone Tebet (PSB) fez críticas diretas ao campo adversário, chamando Flávio Bolsonaro (PL) de "golpista". "Não tem dois democratas disputando a eleição. O lado de lá é extrema direita. É aquele que quer tirar e eliminar direitos já conquistados. Que acha que lugar de mulher é só dentro de casa, que discute até o direito do voto feminino. Tal pai, tal filho. Golpista, sempre golpista. E a população brasileira está começando a perceber isso", afirmou a ex-ministra.
O ex-ministro e candidato ao governo de São Paulo Fernando Haddad também discursou no evento, exaltando a figura de Lula no cenário internacional. "As pessoas gostariam de ter um Lula à sua disposição. Só que o Lula é brasileiro. Só que o Lula é nosso", disse Haddad, que ainda acrescentou: "O Brasil está sendo reconstruído e vai continuar seguindo em frente, de cabeça erguida, sem baixar a cabeça para presidente de nenhum outro país, sem botar boné de presidente de nenhum outro país, defendendo os interesses nacionais, independentemente do teor das ameaças que possam nos ser feitas". A convenção nacional do PT consolidou a candidatura de Lula à reeleição, reunindo lideranças do partido e aliados em torno de um projeto político que busca dar continuidade ao governo iniciado em 2023.