Lula fala com Trump por telefone e pede negociação contra tarifas

Foto: Ricardo Stuckert/PR
Lula reiterou a Trump que as justificativas para o tarifaço são infundadas e que a negociação é a melhor saída para os dois países
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) conversou nesta sexta-feira, 21, com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em uma ligação que durou uma hora e 20 minutos. Segundo o governo brasileiro, o encontro ocorreu "em tom amistoso e cordial" e teve como principal pauta a negociação contra as tarifas impostas pelo governo americano a produtos brasileiros. As informações foram divulgadas pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência (Secom) no início da tarde desta sexta-feira. De acordo com o comunicado, Trump "concordou com a necessidade de preservar vínculos comerciais fortes e propôs que equipes dos dois países voltassem a se reunir o mais brevemente possível".
Durante a conversa, Lula reiterou o pedido para que Brasil e Estados Unidos retomem as negociações com o objetivo de reverter o tarifaço imposto a produtos brasileiros. O presidente brasileiro argumentou que as justificativas apresentadas pelos americanos para a medida não têm fundamento. "Lula enfatizou que as alegações que basearam a medida (desmatamento, acordos preferenciais, propriedade intelectual, combate à corrupção, Pix, etanol e importações de produtos com trabalho forçado) são infundadas. Ao observar que as tarifas afetam negativamente tanto o Brasil, quanto os Estados Unidos, afirmou que seguir na mesa de negociação é a melhor opção para os dois países. Reiterou a importância de trabalhar juntos para que os Estados Unidos continuem sendo um dos principais parceiros comerciais do Brasil", relatou o governo brasileiro na nota.
O combate ao crime organizado também esteve entre os temas discutidos pelos dois presidentes, assim como ocorreu em conversas anteriores entre os dois chefes de Estado. Segundo a Secom, Lula "reiterou o interesse brasileiro na cooperação com os Estados Unidos no combate ao crime organizado" e "argumentou que grupos criminosos exercem terror cotidiano sobre as populações mais carentes, mas não se confundem com organizações terroristas". O presidente brasileiro também disse que o Brasil "tem instrumentos para enfrentar essas organizações sem precisar de classificação especial para designá-las".
A Secom foi discreta ao detalhar as reações de Trump às falas de Lula. Sobre a questão do crime organizado e a decisão dos Estados Unidos de classificar facções criminosas brasileiras como terroristas, o comunicado limitou-se a informar que Trump "se dispôs a reforçar a cooperação bilateral e indicou que mobilizaria funcionários de alto escalão para dar seguimento aos entendimentos nessa área".
A conversa entre os dois presidentes também abordou o papel da Organização das Nações Unidas (ONU). Assim como havia feito com o presidente da Rússia, Vladimir Putin, e com o presidente da China, Xi Jinping, Lula levantou o tema do Conselho de Segurança da ONU com Trump. "O presidente Lula lamentou a inoperância do Conselho de Segurança da ONU e, a exemplo do que sugerira aos Presidentes Xi Jinping e Putin, propôs a convocação de uma reunião extraordinária do órgão para encontrar saídas diplomáticas para as crises atuais. O presidente Lula afirmou que os grandes líderes não são aqueles que iniciam guerras, mas aqueles que põem fim aos conflitos", informou a Secom. A ligação entre Lula e Trump reforça o esforço do governo brasileiro em manter abertos os canais de diálogo com Washington em meio às tensões comerciais e diplomáticas entre os dois países. A expectativa é que as equipes técnicas dos dois lados se reúnam em breve para avançar nas negociações.