Em entrevista durante debate, Lula cobra que Lulinha prove inocência

Foto: Redes Sociais
Em entrevista à Record TV, Lula comentou investigações sobre o filho Lulinha e criticou políticos que dependem das redes sociais
Em entrevista exclusiva à Record TV, gravada no Palácio da Alvorada e exibida neste domingo (23), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) comentou as investigações da Polícia Federal sobre supostos negócios irregulares envolvendo seu filho Fábio Luís, o Lulinha. Na mesma conversa, Lula negou qualquer interferência nos órgãos de controle e fez uma análise do cenário eleitoral brasileiro. Questionado pela âncora Mariana Godoy sobre como agiria caso suspeitas em setores do governo se confirmassem, o presidente foi direto ao afirmar que a transparência é uma obrigação de todos. "Não sou juiz, procurador ou delegado; sou o presidente da República. Todos nós somos obrigados a agir corretamente. Se alguém cometeu um erro, vai ser julgado e punido", declarou, acrescentando que não proíbe investigações nem ameaça demitir delegados para travar inquéritos.
Lula também relembrou os impactos da Operação Lava Jato em sua trajetória pessoal, chegando a afirmar que a ex-primeira-dama Marisa Letícia "morreu por causa das ações judiciais". Em seguida, enviou um recado direto ao filho sobre a condução de sua defesa: "Ele sabe o que eu vivi. Ele tem que provar a inocência dele. Que diga publicamente e se defenda no processo". Ao avaliar o atual cenário eleitoral, o presidente lamentou o esvaziamento das propostas nas campanhas políticas e a substituição do debate de ideias pelas redes sociais.
Relembrando antigas disputas presidenciais, Lula citou nominalmente adversários históricos como Fernando Henrique Cardoso, José Serra, Geraldo Alckmin e Leonel Brizola, contrastando aquele período com o momento atual. "Diminuiu a importância dos políticos. Tem gente que acha que brincar ou lacrar na internet dá o direito de ser presidente da República. Tomar decisões é algo muito sério", afirmou Lula. O presidente criticou adversários que concentram seu engajamento no ambiente digital, argumentando que, na internet, "o bandido aparece com mais força que os honestos" e "quem critica não tem que explicar nada". Apesar das críticas à nova geração de políticos, Lula encerrou o tema reforçando a importância do voto: "Se você não gostava da política há 30 anos, muito menos razão você tem que gostar agora. Mas sabe por que o povo tem que votar e o povo tem que comparecer à urna? Porque a desgraça de quem não gosta de política é que será governado por quem gosta. E se quem gosta for a minoria perversa, o povo será governado por essa minoria".