Trump retoma tentativa de demitir diretora do Federal Reserve

Trump retoma tentativa de demitir Lisa Cook do Fed com carta exigindo resposta sobre alegações de fraude hipotecária
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, está dando continuidade à tentativa de demitir a diretora do Federal Reserve Lisa Cook, mesmo após a Suprema Corte ter recusado, em junho, autorizar a demissão. A informação foi divulgada pela ABC News nesta sexta-feira, com base em fontes ligadas ao caso. Segundo a ABC News, a Casa Branca enviou uma carta a Lisa Cook nesta semana informando que Trump estava "considerando" destituí-la do cargo. Na mesma correspondência, o governo exigiu que ela se pronunciasse sobre alegações não comprovadas de fraude hipotecária em um prazo de três semanas.
A defesa de Lisa Cook reagiu prontamente às acusações. Em comunicado, o advogado da diretora classificou as alegações como "infundadas" e afirmou que "não há causa válida" para destituí-la do cargo. "Assim como fizemos antes, contestaremos esse último pretexto e preservaremos seu cargo e o papel histórico do Fed", declarou Abbe D. Lowell. O Federal Reserve não respondeu imediatamente aos pedidos de comentário. As tensões entre Trump e Lisa Cook não são recentes. No ano passado, o presidente já havia alegado fraude hipotecária ao tentar demitir Cook, que é a primeira mulher negra a ocupar o cargo de diretora do Fed. Na ocasião, Cook negou as acusações, classificando-as como um pretexto para removê-la do cargo em razão de divergências sobre a política monetária.
Em junho, a Suprema Corte dos EUA recusou-se a autorizar a demissão, mantendo a independência do banco central diante do desafio sem precedentes imposto pelo presidente republicano. A corte, em uma decisão de 5 a 4, impediu Trump de destituir Lisa Cook por enquanto, oferecendo uma salvaguarda específica para o Fed. Com a nova carta enviada pela Casa Branca, o imbróglio entre o governo Trump e a diretora do Federal Reserve ganha um novo capítulo, reacendendo o debate sobre a autonomia da instituição e os limites do poder presidencial sobre o banco central americano.