Um ano após assassinato de Laudemir, projeto de proteção a garis é votado em BH

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Um ano após o assassinato de Laudemir Fernandes, projeto de proteção a garis será votado em BH enquanto família cobra julgamento
"Eu me pego ainda procurando por ele. É como se, no fim de todo dia, ele fosse chegar em casa". O desabafo emocionado é da técnica de higiene bucal Liliane da Silva, de 45 anos, viúva do gari Laudemir Fernandes, morto a tiros enquanto trabalhava no bairro Vista Alegre, na região Oeste de Belo Horizonte, em 11 de agosto de 2024. Renê da Silva Nogueira Júnior é réu pelo assassinato e, um ano depois do crime, a família ainda aguarda a marcação do julgamento. O crime ocorreu por volta das 9h, durante uma confusão no trânsito. Enquanto o caminhão de coleta de lixo estava parado, um carro BYD cinza que vinha na direção contrária se aproximou e o condutor sacou uma arma, ameaçando a motorista do caminhão, dizendo que "iria atirar na cara" dela.
O disparo, porém, atingiu Laudemir, de 44 anos, que não resistiu aos ferimentos. O momento foi registrado por câmeras de segurança da região. Na tentativa de evitar que outros casos semelhantes aconteçam, tramita na Câmara Municipal de Belo Horizonte (CMBH) o Projeto de Lei 479/2025, que institui o Programa Municipal de Proteção e Valorização dos Profissionais de Limpeza Urbana, o Progari. O texto está previsto para ser votado em segundo turno no dia 11 de agosto, data em que se completa um ano do assassinato de Laudemir. Enquanto a legislação não é aprovada, a família de Laudemir segue cobrando a marcação do julgamento e a condenação do assassino confesso, com receio de que "as brechas da Justiça" permitam a soltura precoce do atirador.
O texto que tramita na Câmara de BH tem como objetivo garantir a segurança física dos profissionais de limpeza urbana durante o exercício da função, estabelecer protocolos de acompanhamento psicológico e de assistência jurídica integral em casos de violência ou agressão, além de promover a conscientização da população sobre o respeito a esses trabalhadores. A proposição, de autoria do vereador Bruno Pedralva (PT), é descrita como uma "iniciativa construída com os garis para garantir saúde e segurança". O texto prevê a instalação de câmeras de segurança nos caminhões de coleta para registrar ocorrências e inibir agressões, além da criação de um canal direto de denúncia para os trabalhadores em casos de ameaças, agressões ou violação de direitos. "Queremos também que haja um botão de pânico para que as forças de segurança sejam acionadas, além de assegurar o direito deles de acessar banheiros em repartições públicas e privadas", garante o parlamentar.
O projeto passou por mudanças antes de ser encaminhado para votação em segundo turno, visando ampliar as chances de aprovação. Após esse processo, o texto será apreciado pelo prefeito de Belo Horizonte, Álvaro Damião (União), que decidirá pela sanção ou veto. Liliane, viúva de Laudemir, defende a instalação das câmeras. "Às vezes, a sensação que fica é que não se importam com os garis. Quando eles falam que alguém na rua os xingou ou ameaçou, fica apenas a palavra deles. Mas, por exemplo, se já houvesse a câmera no caminhão, quem sabe poderia ter inibido o Renê", opina. Já para o gari Tiago Rodrigues, o essencial não é a instalação de equipamentos, mas uma mudança cultural. "Sendo bem sincero, câmera não serve de nada. Se fosse assim, os assaltos teriam quase acabado. Se a pessoa tiver intenção de fazer o mal, é só Deus para nos acobertar. O que tem que mudar é a população; ela precisa ter bom senso e paciência. Porém, a população perdeu o amor ao próximo, e o que aconteceu com o Laudemir é a prova: a falta de empatia está criando tragédias", desabafa o gari.