Kalil acumula R$ 222 mil em dívidas com a Prefeitura de Belo Horizonte

Alexandre Kalil — Foto: Reprodução Tv Globo
Ex-prefeito de BH acumula mais de R$ 222 mil em dívidas de IPTU com o município, polêmica que persiste desde a campanha de 2016
Dados da Secretaria Municipal de Fazenda de Belo Horizonte revelam que o ex-prefeito da capital mineira e candidato ao Governo de Minas, Alexandre Kalil (PDT), acumula R$ 12,6 mil em dívida ativa não ajuizada com a administração municipal e outros R$ 209,5 mil em dívida ajuizada.
Os valores dizem respeito à Taxa de Manutenção dos Cemitérios Municipais e ao Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU).
Segundo documento obtido pela Itatiaia, a maior parte do débito está relacionada ao não pagamento de IPTU de um imóvel no bairro Braúnas, na Regional Pampulha.
A inadimplência nesse endereço soma R$ 130 mil, representando a maior parcela da dívida ajuizada.
O imposto deixou de ser pago entre 2001 e 2003 e entre 2017 e 2026.
Além disso, uma sala comercial no Santo Agostinho, na Região Centro-Sul, acumula R$ 97,4 mil em IPTU não pago entre 2004 e 2006, com a totalidade da dívida já ajuizada.
Procurada pela reportagem, a assessoria do ex-prefeito informou que ele não se manifestará sobre o caso.
A polêmica que acompanha Kalil desde 2016
A inadimplência de Kalil com o IPTU de BH tornou-se uma questão política durante a campanha eleitoral de 2016, quando ele foi eleito pela primeira vez para a prefeitura da capital.
Na ocasião, as denúncias foram amplamente exploradas por adversários na corrida eleitoral.
Durante o segundo turno da disputa pelo Executivo Municipal, Kalil chegou a prometer publicamente que não assumiria o cargo sem antes quitar o débito.
A controvérsia, no entanto, persistiu mesmo após a confirmação da vitória nas urnas.
Em 2020, quando Kalil buscava a reeleição, um levantamento publicado pela Folha de S. Paulo apontou que o então prefeito havia acumulado novos débitos já à frente da administração municipal, com a dívida chegando à casa dos R$ 243 mil.
O tema chegou a motivar uma investigação na Câmara Municipal, por meio da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) Abuso de Poder.
A comissão foi encerrada em 2023 e o relatório final, aprovado por unanimidade, não encontrou elementos para responsabilizar ou indiciar o ex-prefeito.
Por outro lado, a comissão apontou falhas, erros e possíveis omissões de servidores, além de brechas no sistema de cadastro e cobrança do IPTU, recomendando o encaminhamento da documentação aos órgãos competentes para apuração de eventual improbidade administrativa.
Crescimento do patrimônio
No período em que esteve à frente da prefeitura de Belo Horizonte, Kalil acumulou salários superiores a R$ 30 mil mensais.
Em 2016, ele declarou à Justiça Eleitoral um patrimônio de R$ 2,8 milhões.
No pleito seguinte, em 2020, o valor subiu para R$ 3,7 milhões.
A declaração de bens mais recente apresentada por Kalil à Justiça Eleitoral soma R$ 5.941.176,84, representando um aumento de 62,6% em relação aos R$ 3.652.820,88 declarados em 2022, quando ele também concorreu ao Executivo Estadual.
A diferença entre as declarações realizadas nos últimos quatro anos é de pouco mais de R$ 2,2 milhões.
Na comparação dos bens descritos, verifica-se que boa parte dessa variação corresponde a um apartamento no edifício Parque Belvedere, recebido como herança, avaliado em R$ 1,8 milhão.
Enquanto o patrimônio cresce, as dívidas com o município permanecem sem quitação, mantendo o tema como ponto sensível na trajetória política do ex-prefeito.