Kaio Jorge recebe advertência e está liberado para enfrentar o Atlético

Foto: Gustavo Aleixo/Cruzeiro
A 5ª Comissão Disciplinar do STJD converteu a suspensão de Kaio Jorge em advertência, liberando o atacante do Cruzeiro para o clássico
O atacante do Cruzeiro, Kaio Jorge, foi julgado nesta segunda-feira (31) pela 5ª Comissão Disciplinar do Tribunal de Justiça Desportiva. O atleta recebeu uma condenação de suspensão de um jogo, convertida em advertência, após ser enquadrado no artigo 254, parágrafo primeiro, inciso II, do CBJD, que trata de jogada violenta mesmo sem intenção de causar dano ao adversário. Com a decisão, Kaio Jorge está liberado para o clássico entre Atlético-MG e Cruzeiro. O lance que motivou o julgamento ocorreu no primeiro tempo de uma partida, quando Kaio Jorge deslocou Ruan Tressoldi, que caiu no chão e precisou ser encaminhado ao hospital. O caso gerou debate intenso entre os membros da comissão, com votos divergentes sobre a gravidade da punição.
O relator Dr. Ramon Rocha Santos considerou que o lance foi mais do que uma "cama de gato" e temerário, votando pela condenação com pena mínima de suspensão de um jogo, convertida em advertência. Renata Baldez Mendonça acompanhou o voto do relator, assim como Raoni Vita, que ressaltou a complexidade do caso e destacou que o lance justificava cartão amarelo ou vermelho. O Dr. Gustavo Lisboa foi o único a discordar da dosimetria da pena, votando por três jogos de suspensão por considerar a falta muito grave.
O presidente da 5ª Comissão, Dr. Paulo Ronaldo Carvalho, também acompanhou o relator, selando a decisão por maioria. "O atleta Kaio Jorge Pinto Ramos, por maioria, foi suspenso por uma partida, suspensão convertida em advertência, divergindo Gustavo Lisboa, que o advertia por três partidas", finalizou Carvalho. Antes da votação, os auditores analisaram o pedido de Ruan Tressoldi para participar como terceira parte no julgamento, mas a solicitação foi indeferida. Foram exibidos o lance de Kaio Jorge com Ruan Tressoldi e embates do atacante com Ivan Roman em 2025, embora os vídeos da última temporada tenham sido excluídos por solicitação do presidente da comissão. O representante do Cruzeiro, Michel Assef, apresentou ainda uma série de lances de "cama de gato" em que não houve punições severas aos atletas.
O Atlético-MG acionou o Dr. Haroldo Aleixo, médico cardiologista e especialista em medicina do esporte, como testemunha. O procurador Caio Porto Ferreira dividiu a argumentação da procuradoria em três partes: o cabimento da denúncia, a fundamentação no CBJD e os comentários sobre a possível punição, questionando se era necessária a entrada de Kaio Jorge e chamando atenção para a preservação dos atletas em jogadas com a cabeça.
O representante do Cruzeiro, Michel Assef, defendeu o atacante com veemência, argumentando que o debate não deveria existir, já que é comum clubes contestarem decisões de campo da arbitragem. "O que tem que ser avaliado aqui é a conduta. Sempre é importante a presença do médico. Se fosse apenas uma falta de jogo, analisada pelo árbitro... Se tivesse causado o óbito de um atleta, não é isso que vem a julgamento; o resultado é a conduta, a falta que será julgada. Se o Ruan não tivesse caído como caiu, não estaríamos aqui. Não estamos aqui para julgar resultado, estamos para julgar conduta", defendeu. "Esse tipo de jogada ocorre em todos os jogos. O atleta fez uma cama de gato. Se esse caso for admitido e julgado dessa forma, o que vai acontecer é uma chuva de denúncias. Essa é uma falta de jogo que aparece em todas as partidas", complementou Michel Assef. "Escapou ao árbitro? Não, o árbitro deu falta. Escapou do VAR? Não! Não temos que discutir esse caso com qualquer suspensão ou advertência. Se isso acontecer, a justiça desportiva receberá uma enxurrada de denúncias. Outra exceção à regra seria um erro notório. Por isso, trouxemos uma série de lances similares em que sequer houve cartão amarelo. Por que denunciar Kaio Jorge e nenhum outro? Haverá desequilíbrio no campeonato. Não deveria haver julgamento", afirmou, pedindo a absolvição do atacante.
Já o advogado do Atlético-MG, Rafael Lewandowski Libertuci, adotou tom mais severo na acusação, destacando o que chamou de reincidência do atleta em clássicos e classificando o ato de forma contundente. "Quase me convenci pela fala de Michel Assef. Mas lembrei de quem se fala, das ações de Kaio Jorge. É importante lembrar dos casos de cama de gato. Kaio Jorge não fez uma cama de gato; foi uma ação deliberada. Ele derruba o jogador no alto e dá uma ombrada. Não é cama de gato, é tentativa de homicídio. Ninguém aguenta mais Kaio Jorge. Ruan Tressoldi poderia ter morrido. A gente julgaria isso por um jogo ou dois de suspensão?", questionou o advogado.
O artigo 254 do CBJD, base do julgamento, trata de "qualquer ação cujo emprego da força seja incompatível com o padrão razoavelmente esperado para a respectiva modalidade" e "atuação temerária ou imprudente na disputa da jogada, ainda que sem intenção de causar dano ao adversário". Com a pena convertida em advertência, Kaio Jorge segue disponível para atuar no próximo clássico entre Atlético-MG e Cruzeiro.