Calor extremo se intensifica na Europa e reforça avanço das mudanças climáticas

Turistas se protegem do sol com guarda-chuvas enquanto visitam a praça de touros em Ronda, no sul da Espanha, durante a primeira onda de calor do verão - Foto: Jorge Guerrero / AFP
Chefe da OMM, John Kennedy, aponta que ondas de calor são mais frequentes, intensas e duradouras do que nas décadas passadas
Os períodos de calor extremo estão se tornando mais frequentes, intensos e duradouros à medida que as mudanças climáticas elevam as temperaturas do planeta. Na Europa, algumas regiões enfrentam a quinta onda de calor do verão, em um cenário marcado por secas, incêndios florestais e temperaturas recordes. Na Inglaterra, por exemplo, os termômetros podem chegar a 37°C.
O cenário atual também evidencia a transformação do clima nas últimas cinco décadas. O verão europeu de 1976, marcado por temperaturas elevadas, apresentava padrões atmosféricos semelhantes aos observados atualmente, mas em um planeta significativamente mais frio.
Hoje, grande parte do globo registra temperaturas acima da média, enquanto as áreas com temperaturas abaixo do normal se tornaram mais isoladas. A Europa, que vem registrando um dos processos de aquecimento mais acelerados do mundo, está entre as regiões mais afetadas.
O atual padrão de calor no continente está relacionado à persistência de sistemas de alta pressão no Hemisfério Norte. Esses sistemas retêm o ar quente, reduzem a formação de nuvens e dificultam a entrada de massas de ar mais frio, permitindo que as altas temperaturas permaneçam sobre grandes áreas por vários dias ou até semanas.
O fenômeno também é intensificado pelas condições dos oceanos e dos solos. Os mares ao redor da Europa, incluindo o Mediterrâneo e as águas a oeste do continente, apresentam temperaturas excepcionalmente elevadas, contribuindo para o aumento do calor em terra.
A baixa umidade do solo também agrava as temperaturas. Com a redução da água disponível, o solo passa a se aquecer mais rapidamente, favorecendo a manutenção de condições extremas durante as ondas de calor.
Apesar do aumento das temperaturas globais, o El Niño não está contribuindo para o calor registrado na Europa neste ano. As condições no Pacífico tropical permanecem neutras.
O aquecimento dos oceanos reforça o cenário. Em julho, os mares do planeta atingiram a maior temperatura já registrada para o mês, evidenciando a intensificação do aquecimento global e seus efeitos sobre os padrões climáticos.