Brasil inicia processo de reciprocidade contra tarifas dos EUA

Foto: Wikimedia/Creative Commons
Brasil formaliza processo de reciprocidade contra tarifas impostas pelo governo Trump a produtos brasileiros
O Itamaraty enviou nesta sexta-feira (14) uma notificação oficial aos Estados Unidos comunicando o início do processo de reciprocidade por parte do Brasil.
A medida representa uma resposta formal às tarifas impostas pelo governo do ex-presidente Donald Trump sobre produtos brasileiros.
Segundo apurou o blog da Débora Bergamasco, da CNN, a notificação foi direcionada aos departamentos de Estado e de Comércio dos EUA, além do USTR (Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos).
A imposição das alíquotas havia sido proposta pelo próprio USTR no início de junho deste ano, no âmbito da Seção 301 da Lei de Comércio norte-americana, ferramenta que permite aos EUA investigarem e retaliarem nações por práticas comerciais consideradas injustas.
No mesmo dia, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu publicamente o início do processo de reciprocidade, reforçando que o Brasil não busca confronto com os norte-americanos, mas sim o diálogo.
Anteriormente, havia discussões sobre adiar a aplicação da lei para um momento mais oportuno.
"Eu quero manter uma boa relação com os Estados Unidos. Não quero nenhuma briga com os Estados Unidos. Lamentavelmente, eles estão fazendo, sabe, construindo inverdades contra o Brasil. Nós, ontem, entramos com lei da reciprocidade para a gente mostrar que a gente não é pouca coisa", declarou Lula em entrevista aos podcasts As Cunhãs e Não Inviabilize.
Em nota divulgada na quinta-feira (13), o governo federal informou que as consultas diplomáticas têm como objetivo "mitigar ou anular" os efeitos das medidas norte-americanas e de eventuais contramedidas brasileiras.
O Planalto ressaltou que o procedimento reafirma a prioridade do diálogo e da negociação com Washington.
"As tarifas norte-americanas são injustificadas e arbitrárias, e o Brasil continuará defendendo sua posição em todas as instâncias cabíveis", diz trecho da nota oficial divulgada pelo governo.