6 meses de conflito: Irã abre porta ao diálogo, mas exige fim da pressão dos EUA

Navios no Estreito de Ormuz
Seis meses após o início da guerra, o Irã afirma que retomar o diálogo depende de os EUA abandonarem a pressão e cumprirem compromissos firmados
O Irã sinalizou abertura ao diálogo nesta sexta-feira (28), exatamente seis meses após o início do conflito com os Estados Unidos, mas condicionou qualquer avanço diplomático ao abandono da campanha de pressão por parte de Washington. "Retomar a diplomacia não é impossível. Depende de os Estados Unidos compreenderem um fato simples: a pressão não funciona", escreveu o ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, na rede social X.
Os esforços de mediação, conduzidos por países como Paquistão e Catar, tentam há meses encerrar definitivamente o conflito iniciado por Estados Unidos e Israel em 28 de fevereiro, sem que qualquer solução tenha sido alcançada. Embora um cessar-fogo tenha sido firmado em abril e um memorando de entendimento para um acordo de paz definitivo tenha sido assinado em junho, as negociações permanecem travadas, e Washington declarou desde então uma "guerra econômica" contra Teerã.
Em nova tentativa de revitalizar o processo diplomático, Araghchi se reuniu com seu homólogo catari nesta quinta-feira, em Teerã, para discutir o futuro do Estreito de Ormuz, praticamente fechado pela República Islâmica desde o início da guerra. Em paralelo, os Estados Unidos mantêm um bloqueio aos portos iranianos, dificultando a importação de gasolina pelo país.
O cessar-fogo de abril encerrou os combates mais intensos, mas ataques esporádicos, sobretudo no Estreito de Ormuz, seguem comprometendo as perspectivas de um acordo de paz duradouro. O Irã mantém conversações com Omã há várias semanas sobre o futuro da via marítima, onde pretende cobrar dos navios em trânsito uma tarifa por "serviços" marítimos, algo inédito antes do conflito.
Teerã insiste que o estreito permanecerá fechado enquanto Washington não cumprir os compromissos assumidos no memorando de junho, que prevê o fim do bloqueio aos portos iranianos e a retirada das sanções econômicas. "Os Estados Unidos devem construir confiança, falar com respeito, reconhecer nossos direitos e cumprir seus compromissos", enumerou Araghchi.
O tom do Irã endureceu ainda mais com a declaração do deputado iraniano Esmail Kowsari, que reiterou à televisão estatal nesta sexta-feira que, se o memorando não for implementado e os Estados Unidos "não cumprirem seus compromissos, o estreito de Ormuz não apenas permanecerá fechado, como os Estados Unidos deverão estar preparados para nossas ações ofensivas".
Ao completar seis meses de conflito, o Irã mantém sua posição: a diplomacia é possível, mas apenas sob condições que Washington ainda não demonstrou disposição de aceitar.