IPCA tem quinta queda seguida nas projeções

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Mercado financeiro reduz previsão do IPCA pela quinta semana e passa a prever corte maior da Selic ainda em 2025
Os analistas do mercado financeiro reduziram, pela quinta semana consecutiva, a projeção para o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) de 2026, conforme atualização do Relatório Focus divulgada nesta semana. Junto com a nova estimativa, os especialistas passaram a prever uma queda maior da taxa Selic até o fim deste ano. A previsão do mercado financeiro aponta inflação de 5,03% para o encerramento de 2025. O percentual representa a quinta redução consecutiva das projeções para o IPCA acumulado nos 12 meses encerrados em dezembro.
Quatro semanas atrás, a estimativa sinalizava alta de 5,3% do índice oficial de preços. Para os preços administrados, como combustíveis e contas de energia elétrica, a previsão recuou de 5% para 4,93%. Apesar das quedas recentes nas projeções, o IPCA ainda deve fechar o ano acima do intervalo estabelecido pelo CMN (Conselho Monetário Nacional) para o índice oficial de inflação, fixado em 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual — ou seja, entre 1,5% e 4,5%. O teto da meta, portanto, segue ameaçado. Para os anos seguintes, as expectativas permanecem estáveis. Para 2026, as projeções indicam alta de 4,22% nos preços. Já para 2027 e 2028, as estimativas se mantêm em 3,80% e 3,50%, respectivamente.
As perspectivas de inflação para os meses de julho e agosto também recuaram. O mercado financeiro reduziu de 0,20% para 0,08% a expectativa de inflação para julho, cujo resultado será divulgado na próxima semana. Para agosto, as projeções apontam deflação de 0,17%, impulsionada pelo desconto do chamado "Bônus de Itaipu" sobre as contas de luz. No campo dos juros, o Relatório Focus cortou a previsão para a taxa Selic ao final de 2025. As expectativas indicam que a taxa básica deve cair 0,5 ponto percentual neste ano, dos atuais 14,25% ao ano para 13,75% ao ano.
Nas semanas anteriores, as projeções apontavam apenas mais um corte de 0,25 ponto percentual, a ser realizado na reunião do Comitê de Política Monetária prevista para a próxima quarta-feira (5). Para os anos seguintes, as perspectivas mostram a Selic em 12%, 10,5% e 10% ao ano para 2026, 2027 e 2028, respectivamente. A Selic é a principal ferramenta de política monetária utilizada para conter a inflação. Quando os juros sobem, o consumo é limitado e a alta do IPCA tende a ser contida. Em sentido contrário, quando a Selic recua, o consumo é estimulado e os preços tendem a subir em razão da maior demanda por bens e serviços.