IPCA-15 fecha agosto em deflação de -0,40%

Imagem ilustrativa: Renda | PIB | Dinheiro | Juros | Investimento - Foto : Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
Bônus de Itaipu na conta de luz e queda nos alimentos levam o IPCA-15 ao menor resultado desde maio de 2020
O "Bônus de Itaipu", desconto aplicado na conta de luz dos consumidores, combinado com a queda nos preços dos alimentos, empurrou a prévia da inflação de agosto para território negativo. O IPCA-15 fechou o mês em -0,40%, o menor resultado desde maio de 2020, quando marcou -0,59%. Trata-se também da primeira deflação registrada pelo índice desde agosto de 2023, quando a prévia ficou em -0,14%. Os dados foram divulgados nesta quarta-feira (26) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em julho, o indicador havia registrado 0,06%. Com o resultado de agosto, o IPCA-15 acumula 4,24% nos últimos 12 meses.
Dos nove grupos de produtos e serviços monitorados pelo IBGE, cinco apresentaram deflação em agosto: - "Habitação": -1,41% (impacto de -0,22 ponto percentual), grupo mais impactado pelo desconto na conta de luz - "Transportes": -1,00% (-0,20 p.p.), puxado pela queda nas passagens aéreas e nos combustíveis - "Alimentação e bebidas": -0,57% (-0,12 p.p.), influenciado pelo barateamento dos alimentos consumidos em casa - "Vestuário": -0,20% (-0,01 p.p.) - "Comunicação": -0,02% (0 p.p.) Entre os grupos que registraram alta estão "Despesas pessoais" (0,66%), "Educação" (0,46%), "Saúde e cuidados pessoais" (0,40%) e "Artigos de residência" (0,04%). O subitem que mais contribuiu para a deflação foi a energia elétrica residencial, que recuou 6,25%, com impacto de -0,26 ponto percentual no índice. A queda é explicada diretamente pelo "Bônus de Itaipu", crédito repassado aos consumidores na fatura de energia. **Alimentos mais baratos** O grupo de alimentação e bebidas (-0,57%) foi puxado pela alimentação no domicílio, que ficou 0,97% mais barata no período. Os produtos que mais registraram queda de preço foram: - "Tomate": -27,38% - "Batata-inglesa": -25,14% - "Cenoura": -17,05% - "Café moído": -2,31%
No grupo de transportes, a deflação foi liderada pela passagem aérea, que recuou 13,30% no mês. Os combustíveis também contribuíram para o resultado negativo do grupo, com queda acumulada de -1,43%. O etanol caiu 3,63%, a gasolina recuou 1,23% e o óleo diesel registrou baixa de 0,71%. **Diferença entre IPCA-15 e IPCA** O IPCA-15 segue basicamente a mesma metodologia do IPCA, o índice oficial de inflação do país, que serve de referência para a política de metas do governo — fixada em 3% ao ano, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. A principal diferença entre os dois índices está no período de coleta e na abrangência geográfica. No caso da prévia, a pesquisa é realizada e divulgada antes do encerramento do mês de referência.
A coleta atual abrangeu o período de 16 de julho a 14 de agosto. Ambos os índices consideram uma cesta de produtos e serviços para famílias com renda entre 1 e 40 salários mínimos — atualmente fixado em R$ 1.621. O IPCA-15 monitora 367 produtos e serviços em 11 localidades, incluindo as regiões metropolitanas do Rio de Janeiro, Porto Alegre, Belo Horizonte, Recife, São Paulo, Belém, Fortaleza, Salvador e Curitiba, além de Brasília e Goiânia. Já o IPCA abrange 16 localidades, acrescentando Vitória, Campo Grande, Rio Branco, São Luís e Aracaju, e monitora dez produtos a mais. O IPCA completo de agosto será divulgado em 11 de setembro. O boletim Focus do último dia 24 de agosto, sondagem do Banco Central com instituições do mercado financeiro, indica que o mercado projeta inflação de -0,18% para o mês.