Pesquisa revela que 4 em cada 10 brasileiros não tiveram pai presente

Gesto de carinho entre uma criança e um adulto | Paternidade | Adoção | Pai e filho - Foto: Freepik
Pesquisa do Instituto Locomotiva mostra que metade dos brasileiros de classes D e E não conviveu com o pai na infância
Uma pesquisa do Instituto Locomotiva, obtida com pelo UOL, mostra que 61% dos brasileiros afirmam ter convivido com o pai ou uma figura paterna durante toda a infância e adolescência. O índice, porém, cai entre as famílias de menor renda.
Nas classes D e E, 51% dos entrevistados disseram ter convivido com a figura paterna durante todo esse período. Entre as classes de maior poder aquisitivo, o percentual chega a 67%. Na classe C, o índice é de 60%.
Os dados significam que 39% dos brasileiros não tiveram a presença do pai ou de uma figura paterna durante toda a infância e adolescência.
O levantamento, intitulado "Amor e Cuidado: Dia dos Pais", também investigou quais atividades os filhos mais associam aos pais. Entre aqueles que tiveram uma figura paterna presente, 64% afirmaram que os pais eram responsáveis por pagar despesas, como roupas, comida e remédios.
A participação dos pais nos cuidados com os filhos desde os primeiros meses de vida aparece em proporção menor. Apenas três em cada dez brasileiros disseram que os pais cuidavam deles quando eram recém-nascidos, realizando tarefas como trocar fraldas e dar banho.
Atividades relacionadas à vida escolar e ao acompanhamento emocional também são pouco associadas à figura paterna. O levantamento mostra que apenas dois em cada dez entrevistados disseram que os pais participavam de reuniões escolares, conversavam sobre sentimentos ou ajudavam com tarefas.
Para 41% dos entrevistados, os pais nunca participaram de reuniões escolares. Outros 38% disseram que eles nunca conversaram sobre preocupações, enquanto 39% afirmaram que os pais nunca ajudaram com tarefas escolares.
Além disso, 37% afirmaram que os pais nunca conversaram sobre temas considerados difíceis, como relacionamentos, drogas ou saúde mental.
A pesquisa também mostrou que a maioria dos brasileiros considera que pais e mães deveriam dividir igualmente as responsabilidades relacionadas ao cuidado, ao acolhimento e à formação emocional dos filhos.
Para 88% dos entrevistados, demonstrar carinho e afeto deveria ser responsabilidade de ambos. Para 87%, ter momentos de lazer e diversão e saber quem são os amigos das crianças também deveria ser uma função compartilhada.
Já 80% consideram que conversar sobre sentimentos deveria ser uma responsabilidade de pai e mãe. Para 84%, os dois também deveriam participar de diálogos difíceis com os filhos.
Mais de 79% dos entrevistados defendem que acompanhar o uso da internet e das redes sociais, participar de eventos escolares, ajustar compromissos profissionais para estar com os filhos, ajudar nas tarefas e levá-los a consultas médicas deveriam ser responsabilidades compartilhadas entre os pais.
O levantamento indica ainda uma mudança na percepção sobre o papel paterno. Para 76% dos entrevistados, é mais importante que um pai seja alguém em quem os filhos confiam. Outros 24% consideram mais importante que o pai exerça uma posição de autoridade.
A pesquisa ouviu 1.030 pessoas, entre homens e mulheres com 18 anos ou mais, e tem margem de erro de 3,1 pontos percentuais. O estudo foi realizado em junho de 2026, por meio de entrevistas digitais por autopreenchimento em todo o país.