Frank Martins: ''Artur Jorge recupera jogadores já descartados pela torcida''

Frank Martins: ''Além de campanha de líder do Brasileirão, Artur Jorge recupera jogadores que a torcida já dava como descartados''
Português transformou um Cruzeiro que era lanterna em candidato às primeiras posições e, no caminho, devolveu importância a jogadores que pareciam fora dos planos
Quando Artur Jorge chegou ao Cruzeiro, em março, encontrou um time mergulhado na desconfiança. A Raposa era lanterna do Brasileirão, com apenas quatro pontos em oito rodadas, e precisava muito mais do que uma mudança de treinador para recuperar a confiança. Alguns meses depois, além de colocar o Cruzeiro entre os protagonistas do campeonato, o português conseguiu algo que talvez seja tão importante quanto os resultados: recuperou jogadores que boa parte da torcida já havia descartado.
Desde a chegada de Artur Jorge, são 32 pontos conquistados no Brasileirão, desempenho superior ao de Palmeiras e Flamengo no mesmo recorte. Em 27 jogos no comando da equipe, o treinador soma 15 vitórias, sete empates e apenas cinco derrotas, com aproveitamento próximo de 64%.
Mas o número que mais chama atenção talvez esteja na quantidade de jogadores que passaram a contribuir.
Wanderson é o exemplo mais recente. O atacante havia perdido espaço e chegado ao fim da fila entre as opções ofensivas, mas entrou contra o Corinthians e marcou o gol da vitória. Bruno Rodrigues, outro jogador que nem sempre esteve entre as primeiras escolhas, também saiu do banco e balançou as redes. William voltou a ganhar minutos, João Marcelo tem feito boas partidas e Villalba passou a ser utilizado em diferentes funções.
Isso mostra uma característica importante do trabalho de Artur Jorge: ele não parece enxergar o elenco apenas pelos onze titulares. E isso é fundamental em um Cruzeiro que disputa simultaneamente Brasileirão, Copa do Brasil e Libertadores.
Durante muito tempo, a torcida questionou a profundidade do elenco. E algumas críticas até eram compreensíveis. O torcedor quer sempre imaginar que existe alguém melhor esperando uma oportunidade, especialmente quando o titular não entrega aquilo que se espera. O problema é que uma temporada longa não se ganha apenas com jogadores nota 9 ou 10. É preciso ter atletas capazes de entrar em uma partida difícil, cumprir uma função específica e, eventualmente, decidir.
É aí que Artur Jorge tem conseguido virar algumas histórias.
Felipe Moraes, por exemplo, ainda busca seu espaço aos 17 anos e naturalmente vai passar por oscilações. Não seria razoável esperar que um garoto começando no profissional já apresentasse regularidade de jogador experiente. O mesmo vale para outros atletas que ainda não convenceram completamente a torcida, mas que estão recebendo oportunidades e sendo preparados para momentos em que o time vai precisar deles.
No futebol, elenco não é apenas quantidade. É confiança.
E talvez esse seja um dos grandes méritos de Artur Jorge. O treinador conseguiu fazer com que jogadores que estavam praticamente esquecidos voltassem a se sentir parte do projeto. Quando Wanderson entra e decide um jogo fora de casa, ou quando Bruno Rodrigues aparece para marcar, não estamos falando apenas de dois gols. Estamos falando de um elenco que começa a entender que todos terão seu momento.
O Cruzeiro que Artur Jorge encontrou precisava desesperadamente de seus melhores jogadores. O Cruzeiro que ele está construindo começa a mostrar que pode precisar de qualquer um deles.
E, em uma temporada tão longa e com tantos desafios pela frente, isso pode valer tanto quanto uma boa campanha na tabela.