Flávio Bolsonaro chora ao falar do pai durante culto e critica decisão de Moraes

Ex-presidente Jair Bolsonaro e o senador Flávio Bolsonaro — Foto: Edilson Dantas / Agência O Globo
Senador participou de culto no Dia dos Pais em São Paulo ao lado de Eduardo Cunha e se emocionou ao mencionar Jair Bolsonaro
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência, participou de um culto em São Paulo neste domingo, Dia dos Pais, na sede da Igreja do Poder Mundial de Deus.
Durante o evento, ele se emocionou ao falar do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, que está em prisão domiciliar e não pôde receber a visita dos filhos na data comemorativa por decisão judicial.
O culto contou também com a presença do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (Republicanos), candidato a deputado federal por Minas Gerais, e da deputada federal Dani Cunha (PL-RJ), filha de Eduardo Cunha e candidata à reeleição.
A participação de Flávio Bolsonaro foi transmitida ao vivo em seu perfil no Instagram, enquanto Dani Cunha publicou na mesma rede social registros do encontro com o senador na igreja.
Dois meses antes do evento, Flávio Bolsonaro já havia gravado um vídeo ao lado de Eduardo Cunha, no qual ambos declararam apoio mútuo nas eleições.
Neste domingo, durante o culto, o senador fez uma oração pública e ressaltou que não poderia visitar o pai por determinação judicial. Na ocasião, pediu que Deus desse forças ao ex-presidente para que ele pudesse "superar essa injustiça e perseguição que vem sofrendo".
No sábado (9/8), o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), havia negado o pedido da defesa do ex-presidente para que ele recebesse a visita dos filhos no Dia dos Pais, reiterando que Jair Bolsonaro só pode receber visitas para atendimento médico e de advogados.
Uma decisão de 17 de julho já havia suspendido todas as visitas por 30 dias.
No caso específico de Flávio Bolsonaro, Moraes suspendeu por 90 dias o direito do senador de visitar o pai, após ele divulgar uma carta manuscrita do ex-presidente em suas redes sociais.
Jair Bolsonaro já estava proibido de usar celular, internet e redes sociais, inclusive por intermédio de terceiros. Essas são algumas das condições impostas para que ele permaneça em casa, em vez de ser recolhido a um presídio, após ser condenado a 27 anos e três meses de prisão por tentativa de golpe de Estado e outros crimes.
Senador publica carta e chora em vídeo
No sábado, Flávio Bolsonaro também se manifestou sobre a decisão de Moraes em uma carta publicada em suas redes sociais.
Na mensagem, o senador disse que gostaria de abraçar o pai, mas lembrou que o ministro negou o pedido para que ele e os irmãos visitassem o ex-presidente.
Em vídeo, Flávio Bolsonaro apareceu emocionado ao ler trechos do texto e criticou abertamente a decisão.
"Proibir um filho de visitar o pai, ou o pai de dar um abraço nos filhos, no Dia dos Pais, é desumano, é insano, é injusto, é triste", escreveu.
Na mesma carta, o senador demonstrou saudade do pai: "Tô com saudade de ouvir sua voz, sua risada, suas piadas sem graça. Mas não tem mal que dure pra sempre. Deus só está nos capacitando para algo muito maior em nossas vidas!".
Flávio Bolsonaro também falou sobre sua candidatura à Presidência: "Quando recebi o seu manto e aceitei a missão de disputar a Presidência do Brasil em seu nome, você sabe que só fui porque tenho certeza que é projeto de Deus pro nosso Brasil, e somos apenas instrumentos usados por Ele para isso".
Flávio Bolsonaro, que também é advogado, até então tinha acesso livre ao pai por estar inscrito como representante dele perante a Justiça.
Na carta, o senador reclamou de ter de acompanhar a situação do pai à distância: "Fico sabendo pelos outros advogados como está sua saúde e seu humor, pergunto todos os dias, sem falta. Hoje me disseram que estavam sem saber ainda, porque sábado não tem visita de advogados. Então fiz minha oração pedindo a Deus que estivesse bem, como faço várias vezes ao dia".
Sobre a corrida eleitoral, Flávio Bolsonaro declarou que não conseguiu fechar coligação para a disputa, mas minimizou a situação: "Quanto à caminhada, estamos indo bem! Junto com o [Rogério] Marinho conseguimos fechar bons palanques em quase todos os estados. Mesmo de os partidos de centro não terem vindo formalmente nos apoiar, as principais lideranças de todos eles estão com a gente!".