FGV aponta queda na confiança do consumidor

Fonte: Tânia Rêgo/Agência Brasil
Índice da FGV recua pelo quarto mês seguido e atinge menor nível desde novembro de 2022, refletindo endividamento e juros altos
A confiança do consumidor recuou 3,6 pontos em agosto em relação a julho, na série com ajuste sazonal, atingindo 84,7 pontos — o menor nível desde novembro de 2022, quando o índice havia marcado 83,5 pontos. Os dados foram divulgados nesta terça-feira, 25, pela Fundação Getulio Vargas (FGV/Ibre), e representam a quarta queda mensal consecutiva do indicador. Segundo a FGV/Ibre, o recuo sinaliza uma piora no humor das famílias em relação à economia, refletida tanto pela deterioração das expectativas para o futuro quanto por uma percepção mais desfavorável sobre o momento presente.
A economista da FGV Anna Carolina Gouveia destacou que o resultado foi homogêneo entre as faixas de renda e reflete condições financeiras difíceis, com consumidores "altamente endividados e inadimplentes", além de juros elevados. Ela avalia que o movimento recente "parece sinalizar uma desaceleração do consumo das famílias para o segundo semestre deste ano", apesar do mercado de trabalho ainda forte. Na média móvel trimestral, o Índice de Confiança do Consumidor (ICC) cedeu 1,4 ponto, chegando a 87,2 pontos. Em agosto, a queda do ICC foi impulsionada pelos dois grandes componentes do indicador. O Índice de Expectativas (IE) recuou 5,4 pontos, para 86,1 pontos, o menor patamar desde julho de 2022, quando marcou 85,6 pontos.
Já o Índice de Situação Atual (ISA) caiu 0,6 ponto, para 83,8 pontos. Entre os itens de expectativas, o maior recuo veio do indicador de compras previstas de bens duráveis, que caiu 10,0 pontos, para 74,7 pontos, atingindo o menor nível desde julho de 2022, quando estava em 68,1 pontos. Também houve piora na percepção sobre a situação financeira futura da família, com queda de 4,6 pontos, para 82,9 pontos. O indicador de situação econômica local futura cedeu 0,6 ponto, para 103,3 pontos. No bloco de avaliação do presente, o indicador de situação financeira atual da família caiu 1,2 ponto, para 74,3 pontos, enquanto a leitura sobre a situação econômica local atual ficou praticamente estável, recuando apenas 0,1 ponto, para 93,6 pontos. A sondagem do consumidor realizada pela FGV coletou entrevistas entre 1º e 20 de agosto, consolidando um cenário de deterioração do sentimento econômico das famílias brasileiras no período.