Mãe de Eliza Samudiu concorre a deputada estadual no RJ

Foto: Reprodução
Sônia Fátima Moura, mãe de Eliza Samudio, concorre a deputada estadual pelo Rio de Janeiro pelo partido Progressistas
Sônia Fátima Moura, mãe de Eliza Samudio, confirmou nessa quarta-feira (4/8) sua candidatura a deputada estadual pelo Rio de Janeiro. Concorrendo pelo partido Progressistas e usando o sobrenome da filha como nome de campanha, Sônia tem entre suas propostas ampliar a rede de proteção e o suporte a famílias que enfrentam tragédias e abusos. Sônia é mãe da modelo Eliza Samudio, assassinada em 2010 pelo ex-goleiro do Flamengo Bruno Fernandes. Ela também é avó de Bruninho Samudio, de 16 anos, atualmente goleiro do Botafogo e filho de Eliza com Bruno. A candidata conta com o apoio do correligionário Leniel Borel, candidato a deputado federal pelo Rio de Janeiro. As histórias dos dois se assemelham: Leniel perdeu o filho Henry Borel, assassinado em 2016 pelo padrasto, conhecido como Dr. Jairinho.
Em maio de 2009, Eliza Samudio engravidou do então goleiro Bruno Fernandes, que vivia o auge da carreira no Flamengo. A modelo mantinha relação com o ex-atleta há algum tempo e passou a ser alvo de ameaças e chantagens. Ao tornar a gestação pública e revelar que Bruno era o pai da criança, a situação se agravou: o goleiro era noivo, mantinha um relacionamento extraconjugal com ela e negou a paternidade. Durante a gestação, Eliza chegou a registrar boletins de ocorrência contra o goleiro, mas teve o pedido de medida protetiva negado. O filho do casal, Bruninho, nasceu em fevereiro de 2010, pouco antes do desaparecimento da mãe, ocorrido em 4 de junho do mesmo ano. O último relato de uma possível aparição de Eliza Samudio foi no sítio de Bruno, em Minas Gerais, onde foram encontradas peças de roupa da modelo e fraldas. Bruninho também foi localizado no estado.
Versões de envolvidos no caso relatam que Eliza foi estrangulada, morta e esquartejada, com os restos mortais concretados. No entanto, esses relatos nunca foram confirmados, pois a polícia jamais encontrou o corpo da vítima. Após o desaparecimento, Bruno alegou que Eliza havia deixado o sítio voluntariamente, abandonando Bruninho, que foi achado numa favela de Ribeirão das Neves. A suspeita é de que Dayanne Rodrigues do Carmo Souza, então esposa do goleiro, o tenha deixado no local. Em 26 de junho de 2010, a Polícia Civil de Minas Gerais declarou Bruno suspeito pelo desaparecimento de Eliza Samudio. Em 6 de julho do mesmo ano, um garoto de 17 anos, primo do goleiro, confessou envolvimento no sequestro da vítima.
As investigações se intensificaram após relatos de que Eliza havia sido atraída para a casa do policial Bola, onde teria sido assassinada a mando do ex-goleiro. Bruno foi condenado a 22 anos e 3 meses de prisão por homicídio triplamente qualificado, ocultação de cadáver, sequestro e cárcere privado de Eliza Samudio. Mais recentemente, em março deste ano, teve a liberdade condicional revogada pela Primeira Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ) após descumprir as regras impostas. Ele foi preso em maio de 2024, no Rio de Janeiro, após dois meses foragido, período em que atuava pelo time Vasco do Acre. Agora, ao entrar na disputa eleitoral, Sônia Fátima Moura busca transformar a dor da perda da filha em ação política, defendendo maior proteção para famílias em situações de vulnerabilidade e violência.