Duda Lima, novo marqueteiro de Flávio, muda rumo da campanha

Ex-presidente Jair Bolsonaro e o senador Flávio Bolsonaro — Foto: Edilson Dantas / Agência O Globo
Com Duda Lima no comando, campanha de Flávio Bolsonaro abandona imagem de moderado e aposta no bolsonarismo
Com a entrada do marqueteiro Duda Lima na equipe de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência, aliados do senador acreditam que a campanha deve se voltar mais para as pautas da direita, defendidas pela base do bolsonarismo. Em julho, o time de Flávio anunciou que os publicitários Eduardo Fischer e Alexandre Oltramari deixariam a comunicação da campanha, que passou a ser comandada por Duda Lima, marqueteiro responsável pela campanha de Jair Bolsonaro (PL) nas eleições de 2022. Integrantes da equipe do filho mais velho do ex-presidente Bolsonaro afirmam que um dos principais motivos para a substituição de Fischer e Oltramari foi o fato de que, sob a gestão deles, a campanha se voltou para o centro, com Flávio adotando uma imagem de "moderado".
A estratégia, no entanto, não agradou nem o time do senador, nem os apoiadores bolsonaristas, que dizem que votarão no parlamentar justamente por ele ser alinhado ideologicamente ao campo da direita. Nas redes sociais, apoiadores vinham criticando Flávio por supostamente "assumir uma roupagem de centro-direita", como disse uma apoiadora no X. Em algumas publicações do senador, eram comuns comentários o chamando de "moderado" e "feminista".
Em uma das postagens, um internauta chegou a pedir para que ele "deixe de ser tão moderado, pois seu pai nunca foi e conseguiu se eleger assim". Além da questão ideológica, uma suposta falta de ação e o distanciamento dos dois publicitários em relação ao restante da equipe também vinham gerando insatisfação dentro da campanha. Em 11 de agosto, Flávio se reuniu com candidatos ao Senado apoiados pelo Partido Liberal (PL) e, segundo interlocutores, o clima "foi outro" sem a presença de Fischer e Oltramari. A contratação dos dois havia ocorrido em 25 de maio deste ano, após Marcello Lopes, então marqueteiro da campanha, deixar o posto. Fischer atuava como consultor estratégico de comunicação, enquanto Oltramari respondia pelas áreas de comunicação e marketing. Os dois teriam sido indicados pelo coordenador da campanha, o senador Rogério Marinho (PL-RN).
Apesar de ter tido o nome oficializado como sucessor de Jair Bolsonaro na disputa ao Palácio do Planalto, Flávio vinha tentando se posicionar como uma alternativa mais moderada do que o ex-chefe do Executivo desde o início da pré-campanha, com o intuito de atrair votos além da fiel base bolsonarista. No entanto, desde o mês passado, o senador tem adotado posturas e comportamentos cada vez mais semelhantes aos de seu pai. Entre as mudanças, Flávio passou a fazer as chamadas "lives de quinta", transmissões ao vivo no YouTube em tom informal, nas quais fala diretamente a apoiadores, lê notícias da imprensa e tece críticas ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e ao Supremo Tribunal Federal (STF).
O formato chama atenção pela semelhança com as "lives da semana" realizadas por seu pai quando este ainda ocupava a Presidência. Somado a isso, Flávio aumentou o tom contra o Poder Judiciário e, em especial, contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo. Da mesma forma que Bolsonaro, o senador também se reuniu com diplomatas estrangeiros e fez comentários já desmentidos pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), colocando sob suspeita a integridade das urnas eletrônicas brasileiras.
Na convenção partidária que o lançou à Presidência, Flávio ressaltou o seu laço com o pai. Em publicações nas redes sociais, o senador já havia feito comparações entre a sua aparência e a de Bolsonaro, mas, na convenção, destacou que tem o "sangue de Bolsonaro", apesar da sua suposta imagem de "moderado". No último domingo (16/8), o parlamentar lançou oficialmente a sua campanha eleitoral em Copacabana, no Rio de Janeiro, berço político tanto de Flávio quanto de Bolsonaro. Em 2022 e em 2018, Bolsonaro também lançou suas candidaturas no Rio, estado onde o ex-presidente construiu sua carreira política.
Outra agenda em que Flávio apostou nos últimos dias foi a chamada "motociata", passeata de motocicletas pelas ruas que se tornou comum durante o governo Bolsonaro. O senador marcou para a segunda-feira (17/8) uma motociata em Juiz de Fora, na Zona da Mata Mineira, mas não compareceu devido a condições climáticas que impediram o pouso na cidade pela manhã. A escolha do local também chama atenção: foi em Juiz de Fora onde o ex-presidente levou uma facada durante as eleições de 2018. A ideia da campanha era repetir o trajeto percorrido por Bolsonaro na data, no entanto, segundo a equipe local do senador, ainda não há previsão de uma nova data para a realização do evento na cidade.