Donald Trump exige compensações do Irã

Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump - Foto: Alex Brandon / Pool
Donald Trump anunciou que os EUA cobrarão compensações do Irã por décadas de ataques, enquanto negociações seguem estagnadas
O presidente norte-americano Donald Trump declarou nesta segunda-feira (10) que os Estados Unidos vão exigir "compensações" do Irã por ataques conduzidos ao longo de décadas contra adversários no exterior e contra manifestantes iranianos dentro do próprio país. A declaração foi feita em um momento em que as negociações entre os dois países se encontram estagnadas. Por meio de sua conta na rede social Truth Social, Donald Trump afirmou que essa exigência será apresentada de forma "firme" nas futuras negociações com o regime islâmico.
Segundo ele, a medida é uma resposta a uma antiga demanda das autoridades iranianas, que condicionam qualquer acordo sobre o Estreito de Ormuz ao pagamento de reparações pelos Estados Unidos. O presidente americano citou diretamente a postura iraniana ao publicar que o Irã "pede compensações pelos danos que sofreu durante os cinco meses de conflito militar", ressaltando que esse detalhe nunca havia sido mencionado em nenhuma das negociações ou reuniões anteriores. "Mas é uma ideia interessante porque, da mesma forma, eu também peço compensações ao Irã por todas as pessoas que eles mataram e feriram", reiterou Donald Trump na publicação, citando o navio de guerra americano alvo de um atentado mortal em 2000, no Iêmen.
Donald Trump acrescentou que "compensações deveriam ser pagas às famílias dos centenas de milhares de manifestantes inocentes que o Irã matou nos últimos cinquenta anos, sem falar dos 52 mil mortos nos últimos cinco meses". Em uma publicação posterior, o presidente americano ainda afirmou que o regime iraniano deveria ser responsabilizado pelos danos e pelas mortes causadas às populações do Líbano, da Síria, do Iêmen e da Faixa de Gaza. A nova exigência torna ainda mais improvável um acordo rápido sobre o Estreito de Ormuz. O Irã, por sua vez, exige que Washington aceite todas as suas condições: que os Estados Unidos "encerrem definitivamente a guerra e a agressão" contra o Irã e seus aliados, inclusive no Iêmen e no Iraque, além da suspensão do bloqueio aos portos iranianos, indenização "integral" pelos danos causados pelas hostilidades, levantamento das sanções contra a economia iraniana e o desbloqueio "sem condição" dos ativos iranianos congelados.
No domingo (9), Donald Trump havia dado a entender que não precisaria lançar uma grande ofensiva militar nem realizar um esforço diplomático específico, afirmando que bastaria "observar" as dificuldades econômicas do Irã. Em entrevista ao site de notícias Axios, o líder republicano demonstrou otimismo sobre a possibilidade de um acordo, comparando as conversas a "um jogo de xadrez". A declaração foi ironizada pelo porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmaeil Baqaei, durante uma entrevista coletiva em Teerã nesta segunda-feira. Para ele, tanto nas negociações oficiais como nos bastidores, "os iranianos demonstraram que são jogadores profissionais de xadrez".
Baqaei reiterou a mensagem repetida nos últimos dias pelas autoridades iranianas: "não há negociação direta" em curso com Washington. Segundo ele, ocorrem apenas "trocas de mensagens" por meio de intermediários, e as conversas não serão retomadas enquanto os Estados Unidos continuarem cometendo "violações" do protocolo de acordo. O porta-voz acrescentou que, até que essa situação mude, "não estarão garantidas as condições necessárias para estabelecer um tráfego marítimo internacional seguro". Enquanto o impasse continua, Teerã blinda o estratégico Estreito de Ormuz e Washington impõe como resposta um bloqueio dos portos iranianos. A diplomacia iraniana não esconde que prefere concentrar suas negociações com Omã, com quem pretende definir uma futura rota de trânsito na região. Ainda restam "alguns pontos técnicos" a discutir, ressaltou Baqaei, que também mencionou vários "mecanismos" que precisam ser implementados para garantir a segurança da via marítima. "Como regra geral, quando se prestam serviços marítimos, necessariamente se recebe algo em troca", disse. O Irã já afirmou diversas vezes que não aceitará retornar à situação anterior à guerra e deseja cobrar pelo trânsito no Estreito de Ormuz, apesar da oposição dos Estados Unidos, de vários outros países e do direito internacional do mar.