Homem que aplicava golpes em MG é preso no ES

Estelionatário investigado por fraudes em BH, Ouro Preto e Mariana foi capturado em Guarapari após operação policial
A Polícia Civil do Espírito Santo (PCES) prendeu, em 16 de julho, o estelionatário Diego Vinícius Mariano dos Santos, de 36 anos, em cumprimento a um mandado de prisão preventiva expedido em fevereiro de 2026 pela 1ª Vara das Garantias da Comarca de Belo Horizonte. O suspeito era investigado por aplicar golpes de estelionato na capital mineira, na Região Metropolitana, em Ouro Preto e em Mariana. Diego Vinícius foi localizado em uma rua do bairro Santa Mônica, em Guarapari, durante uma operação conjunta entre a Delegacia Especializada de Investigações Criminais (Deic) e a Delegacia de Proteção à Criança, ao Adolescente e ao Idoso (DPCAI).
Segundo as investigações, Diego Vinícius se apresentava como investidor do ramo automotivo para se aproximar de conhecidos, vizinhos e membros de igrejas. Após conquistar a confiança das vítimas, ele as induzia a realizar aportes financeiros com promessas de altos rendimentos e participação em lucros fictícios. Assim que recebia os valores ou bens, o suspeito encerrava os contatos, bloqueava canais de comunicação, desativava suas redes sociais e mudava de município para fazer novas vítimas.
Uma das pessoas lesadas é o servidor público Rômulo Humberto Correia de Souza, de 38 anos, que relatou ter conhecido Diego Vinícius em julho de 2025 por indicação de um amigo. Inicialmente, Rômulo recusou propostas de investimentos financeiros com retorno fixo de 2% ao mês, mas acabou aceitando entrar no esquema de negociação de automóveis. "Ele me ligava e falava: "Estou com um carro aqui para a gente comprar no valor de R$ 70 mil. Já tenho um cliente para ele que paga R$ 80 mil. É só me mandar 70, eu vendo por 80: R$ 5 mil meu e R$ 5 mil seu" (...) No mês de outubro ele me pediu R$ 90 mil para comprar um carro, e falou que o retorno era de R$ 110. Dois dias depois me ligou pedindo mais R$ 50 mil, e entreguei", revelou Rômulo.
As transações ocorreram de forma regular até outubro daquele ano, quando a abordagem mudou e Diego Vinícius passou a solicitar valores maiores, alegando aquecimento do mercado no fim de ano. Diante desse cenário, Rômulo entregou seu próprio carro, um T-Cross avaliado em R$ 100 mil, para ser vendido com a promessa de repasse integral do valor.
O esquema começou a ser desmascarado quando Diego Vinícius passou a inventar justificativas para não realizar os pagamentos, alegando problemas com a Receita Federal e bloqueio de CPF, chegando a enviar fotos de dentro de agências bancárias para simular tentativas de regularização. No dia em que desapareceu, enviou uma mensagem às 6h30 para Rômulo dizendo que o celular estava descarregando. "Durante a tarde eu descobri, através de outras pessoas que também haviam sido lesadas, que Diego havia fugido com a esposa, a mãe e o filho levando todo o dinheiro", disse Rômulo.
Rômulo registrou boletim de ocorrência por apropriação indébita e conseguiu reaver o veículo judicialmente — descobrindo no processo que o suspeito o havia vendido por R$ 80 mil —, mas ainda acumula o prejuízo de R$ 140 mil transferidos. Além disso, as vítimas suspeitam da participação de um primo do investigado, que atuaria recrutando investidores na região.
A polícia identificou lesados em cidades como Belo Horizonte, Contagem, Betim, Santa Luzia, Ouro Preto e Mariana. A ação policial foi deflagrada após o cruzamento de dados e levantamentos de inteligência indicarem que Diego Vinícius estaria escondido no litoral capixaba e planejando continuar com os golpes no Espírito Santo. O mandado judicial de prisão preventiva enquadrou a conduta do investigado no artigo 171 do Código Penal, referente ao crime de estelionato. Após a abordagem da Polícia Civil do Espírito Santo, Diego Vinícius foi conduzido à 5ª Delegacia Regional de Guarapari e, em seguida, encaminhado ao sistema prisional, onde permanece à disposição da Justiça.