Inadimplência entre pessoas físicas atinge maior nível desde 2011

© Marcello Casal jr/Agência Brasil
Mesmo com o Desenrola 2.0 em vigor, a inadimplência entre pessoas físicas atingiu 5,81% em julho, o maior nível desde 2011, segundo o Banco Central.
A inadimplência nas operações de crédito bancário voltou a subir em julho e atingiu um novo recorde no Brasil, mesmo após o lançamento do Desenrola 2.0, programa do governo federal criado para facilitar a renegociação de dívidas. Os dados, divulgados pelo Banco Central nesta sexta-feira (28), revelam que a taxa de inadimplência entre pessoas físicas chegou a 5,81% em julho, o maior percentual registrado desde o início da série histórica, em 2011.
O resultado evidencia que as dificuldades das famílias para manter as contas em dia continuam avançando, apesar das iniciativas de renegociação lançadas pelo governo. O Desenrola 2.0 entrou em vigor em maio e permite a renegociação de determinadas dívidas com condições mais favoráveis, tendo sido criado justamente diante do elevado endividamento das famílias brasileiras, com o objetivo de reduzir a inadimplência e facilitar o acesso ao crédito.
A alta da inadimplência ocorre também em um ambiente de juros elevados. As taxas cobradas pelos bancos continuam pressionando o orçamento dos consumidores e dificultando a reorganização das finanças pessoais. Outros indicadores recentes apontam para um alto nível de comprometimento financeiro das famílias, com milhões de brasileiros enfrentando dificuldades para quitar seus compromissos. A situação é acompanhada de perto pelo Banco Central, pois o aumento da inadimplência pode afetar a qualidade das carteiras de crédito das instituições financeiras e, consequentemente, influenciar as condições para novos empréstimos.
Em julho, a inadimplência entre pessoas físicas alcançou o maior nível da série histórica, reforçando o desafio do governo de garantir que os programas de renegociação tenham efeito permanente sobre as finanças das famílias. O resultado também demonstra que renegociar dívidas não significa, necessariamente, eliminar o problema. Para especialistas, a recuperação financeira depende da capacidade das famílias de retomar o pagamento das parcelas e evitar a contratação de novas dívidas. Assim, mesmo com o Desenrola 2.0 em andamento, os dados de julho indicam que a inadimplência bancária segue sendo um dos principais desafios para o consumidor brasileiro.