Cuba pode virar uma "Gaza silenciosa", diz ONU

Foto: ONU/Eskinder Debebe
Especialistas da ONU alertam que sanções dos EUA e bloqueio de petróleo imposto por Trump aprofundam crise humanitária em Cuba
Especialistas em direitos humanos da ONU alertaram, nesta quinta-feira (6), que Cuba pode se tornar uma "Gaza silenciosa" caso a comunidade internacional não aja rapidamente para conter os efeitos das sanções impostas pelos Estados Unidos. O bloqueio petrolífero decretado em janeiro pelo presidente Donald Trump, somado a outras medidas restritivas de Washington, tem agravado a crise econômica na ilha e gerado escassez generalizada. Os Estados Unidos mantêm um embargo contra Cuba desde 1962.
Com a ordem de Trump, um novo bloqueio de petróleo foi adicionado às restrições já existentes, aprofundando os problemas estruturais do país. Segundo os especialistas da ONU, as consequências já se fazem sentir em setores essenciais como energia, transporte, irrigação e serviços básicos, afetando de forma desproporcional mulheres, crianças, idosos e outros grupos vulneráveis. "As consequências humanitárias já estão se tornando uma crise, que ameaça os direitos à saúde, à vida, à alimentação e ao desenvolvimento", afirmaram os especialistas da ONU.
Para milhões de cubanos, tarefas cotidianas como conseguir água e alimentos, deslocar-se de um lugar a outro e até dormir tornaram-se verdadeiros desafios diários, em meio a frequentes apagões que tomam conta do país. As agências da ONU presentes em Cuba também foram citadas no alerta, pois já advertiram sobre o crescente risco de insegurança alimentar, além da escassez de medicamentos e outros produtos de primeira necessidade. O quadro, segundo os especialistas, exige atenção urgente da comunidade internacional antes que a situação se torne irreversível. "Os alimentos nunca devem ser utilizados como instrumento de pressão política. Medidas que privam deliberadamente uma população dos meios para sobreviver atentam contra as garantias mais básicas do direito à vida e enfraquecem a própria essência da dignidade humana", declararam os especialistas.
Em seguida, direcionaram uma exigência direta a Washington: "O governo dos Estados Unidos deve acabar com todas as ameaças e atos hostis contra a soberania de Cuba e revogar todas as medidas que impôs ao país e que são contrárias ao direito internacional".