Coreia do Norte amplia apoio militar à Rússia

Kim Jong-un Líder supremo da Coreia do Norte
Moscou planeja receber mais 30 mil soldados norte-coreanos e uma unidade de mísseis da Coreia do Norte já foi deslocada para o oeste russo
A Rússia planeja receber mais 30 mil soldados norte-coreanos para reforçar suas operações militares contra a Ucrânia. Segundo o "The Independent", uma unidade de mísseis da Coreia do Norte já começou a ser deslocada para o oeste do território russo, sinalizando uma expansão significativa da cooperação militar entre Moscou e Pyongyang. O presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskiy, declarou em julho que Moscou está preparando instalações na região de Voronezh para receber o novo contingente de tropas. A informação, no entanto, não foi verificada de forma independente.
De acordo com um oficial da Diretoria Principal de Inteligência da Ucrânia (GUR), a unidade norte-coreana de mísseis deslocada para o oeste da Rússia teria cerca de 90 integrantes. O grupo poderia ser equipado com até 120 mísseis balísticos e seis lançadores, com base prevista justamente em Voronezh.
A Coreia do Norte e a Rússia confirmaram oficialmente, em abril de 2025, que soldados norte-coreanos combateram forças ucranianas na região russa de Kursk. Moscou afirmou ter retomado áreas da região, enquanto Pyongyang declarou que o líder Kim Jong Un ordenou pessoalmente o envio das tropas. A base legal dessa cooperação remonta a junho de 2024, quando Vladimir Putin e Kim Jong Un assinaram uma parceria estratégica abrangente durante a visita do presidente russo a Pyongyang. O acordo prevê assistência mútua caso um dos países sofra agressão externa.
Em maio de 2025, Kim justificou a participação da Coreia do Norte na guerra como apoio a um país aliado, afirmando que a medida representava o exercício dos direitos soberanos norte-coreanos em defesa de uma "nação irmã". As estimativas iniciais da Ucrânia, dos Estados Unidos e da Coreia do Sul apontavam o envio de 10 mil a 12 mil militares norte-coreanos ao final de 2024. Avaliações posteriores elevaram esse número para entre 14 mil e 15 mil soldados em Kursk. A GUR informou, neste mês, que cerca de 9.500 deles permaneciam na região, sem participação direta em operações contra a Ucrânia.
Além do envio de tropas, a Coreia do Norte também fornece à Rússia um volume expressivo de material bélico. Segundo avaliações ucranianas e independentes, Pyongyang entrega milhões de projéteis de artilharia e morteiro, mísseis balísticos, artilharia de longo alcance e lançadores múltiplos de foguetes. A GUR afirma que a Coreia do Norte entregou 4 milhões de projéteis de artilharia desde meados de 2023, sem contabilizar as munições de morteiro.
Uma análise conjunta da Reuters e do Open Source Centre identificou 64 viagens de quatro cargueiros russos ao porto norte-coreano de Rajin entre setembro de 2023 e março de 2025. Nesses trajetos, os navios transportaram quase 16 mil contêineres de munição com destino a portos russos. Os Estados Unidos e seus aliados afirmam que o envio de tropas e armamentos viola resoluções do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) referentes à Coreia do Norte. Pyongyang enfrenta sanções da ONU desde 2006, em razão de seus programas nuclear e de mísseis balísticos.