Copom e IPCA levam dólar a R$ 5,11

Ata do Copom, inflação de julho e alta do petróleo orientam mercados; BTG, JBS e Natura divulgam balanços do 2º trimestre
O dólar abriu os negócios desta terça-feira próximo da estabilidade, cotado a R$ 5,108 no mercado comercial para venda, com variação negativa de 0,05% em relação ao fechamento do dia anterior. O mercado financeiro brasileiro reagiu à ata do Copom, ao IPCA de julho e à alta do petróleo no exterior, enquanto a Bolsa foi influenciada pelos balanços de grandes empresas.
A ata do Copom, documento que detalha os motivos que levaram o Comitê de Política Monetária a reduzir a taxa básica de juros Selic na semana passada, indicou que o órgão continuará tomando decisões com base nos indicadores econômicos. "O Comitê reitera que a magnitude do ciclo de calibração será ajustada à luz da evolução do cenário, de forma a manter a restrição adequada para assegurar a convergência da inflação à meta", afirma o documento.
Gustavo Sung, economista-chefe da Suno Research, avaliou que "o documento aprofunda argumentos já conhecidos e preserva a mesma dose de cautela, sem oferecer sinalização adicional sobre o ritmo dos próximos passos. As decisões continuarão sendo tomadas reunião a reunião, condicionadas às novas informações, sem compromisso prévio com magnitude ou ritmo". O IPCA de julho também orientou as apostas sobre os juros. O índice oficial de inflação, divulgado pelo IBGE, registrou alta de 0,07% no mês, abaixo dos 0,16% de junho.
Nos últimos 12 meses, o indicador ficou em 4,44%, recuando em relação aos 4,64% do período anterior e ficando abaixo do teto da meta, de 4,50%. No mercado externo, o petróleo operou com viés firme de alta. A reabertura do Estreito de Hormuz, rota por onde passa cerca de 20% do fornecimento mundial da commodity, seguia travada pelo impasse nas negociações entre Estados Unidos e Irã. O contrato futuro do barril tipo Brent com entrega em outubro subia 1,5% às 9h (horário de Brasília), cotado a US$ 89,05, chegando à máxima de US$ 90,03. Bruno Cordeiro, analista da StoneX, explicou que "o aumento dos prêmios de risco geopolítico é provocado pela frustração das negociações diplomáticas entre Irã e Estados Unidos.
O desalinhamento entre as partes em relação às condições para retomada dos fluxos físicos de petróleo e derivados pelo Golfo Pérsico deixa o mercado menor otimismo quanto à possibilidade de normalização das exportações de produtos energéticos da região". No mercado de ações, o Ibovespa encerrou o pregão anterior em queda de 0,19%, aos 172.179 pontos, acumulando cinco sessões consecutivas sem alta. Gabriel Mollo, analista de investimentos da Daycoval Corretora, destacou que "o índice acumula cinco pregões consecutivos sem alta e continua pressionado pelo menor fluxo estrangeiro e pela abertura da curva de juros".
Os resultados trimestrais de grandes companhias também movimentaram os investidores. O BTG Pactual registrou crescimento de 22,6% no lucro, que chegou a R$ 5,14 bilhões no segundo trimestre, com receitas totais de R$ 10,4 bilhões e retorno sobre patrimônio líquido médio (ROAE) de 26,7%, impulsionado por ganhos de eficiência operacional. A Natura, por sua vez, lucrou R$ 35 milhões no segundo trimestre, resultado 92,1% inferior ao do mesmo período do ano anterior. A receita líquida da empresa somou R$ 5,17 bilhões no trimestre, queda de 9,1% em um ano.
Já a JBS reportou prejuízo de US$ 102 milhões no período, com o lucro líquido ajustado caindo 62,3% e o Ebitda ajustado recuando 18,5%, para US$ 1,43 bilhão. A companhia também anunciou o fechamento de duas unidades nos Estados Unidos, com a produção sendo absorvida por outras plantas no país. A Movida apresentou resultado positivo, com o lucro líquido dobrando no segundo trimestre para R$ 135,6 milhões. A locadora e revendedora de automóveis registrou receita líquida de R$ 3,77 bilhões, crescimento de 2,4% na comparação anual, e anunciou aumento de capital de até R$ 152,5 milhões, além do pagamento de R$ 255 milhões em juros sobre capital próprio. O cenário desta terça-feira reuniu, portanto, fatores internos e externos que condicionaram o comportamento do câmbio, dos juros e da Bolsa, com destaque para a cautela do Copom, a desaceleração da inflação e as tensões geopolíticas que mantiveram o petróleo em alta.