Ata do Copom reforça postura restritiva diante da inflação

Foto: Banco Central/Reprodução
Ata de agosto do Copom reafirma vigilância sobre efeitos de segunda ordem de choques de oferta e mantém postura restritiva diante da inflação
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central reafirmou, na ata de sua reunião de agosto, que a magnitude do ciclo de cortes de juros será ajustada "à luz da evolução do cenário". O documento, publicado nesta terça-feira, 11, também destaca que choques de oferta têm influenciado tanto a trajetória recente quanto a perspectiva futura da inflação. No encontro encerrado na última quarta-feira, 5, o Copom reduziu a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, de 14,25% para 14,00%, representando o quarto corte consecutivo.
A ata detalha os fundamentos que embasaram a decisão e sinaliza os próximos passos do colegiado diante do cenário econômico atual. Sobre os choques de oferta, o Copom deixou claro que não pretende reagir aos efeitos primários desse tipo de choque, mas que manterá vigilância sobre possíveis desdobramentos. "O Copom avalia que não deve reagir aos efeitos primários de choques dessa natureza, mas que é necessário monitorar com atenção eventuais efeitos de segunda ordem, e reagir com firmeza caso esses efeitos se materializem", diz o documento. A cúpula do Banco Central reconheceu que as evidências de transmissão da política monetária para a atividade econômica têm se acumulado de forma gradual. No entanto, o comitê ressaltou que a inflação permanece pressionada pela demanda, o que exige a manutenção de uma postura restritiva. "Embora a política monetária esteja contribuindo de forma determinante para o processo de desinflação, a inflação permanece pressionada pela demanda, exigindo que a política monetária mantenha caráter restritivo", afirma a ata.
O Copom reafirmou que o balanço de riscos apresenta assimetria altista, enquanto a atividade econômica manteve trajetória de moderação, conforme antecipado pelo colegiado. "Indicadores correntes apontam para desaceleração na passagem do primeiro para o segundo trimestre de 2026, disseminada entre os componentes de oferta e demanda do produto agregado", escreveu o comitê. O Copom também reforçou na ata que "o arrefecimento da demanda agregada é um elemento essencial do processo de reequilíbrio entre oferta e demanda da economia e convergência da inflação à meta".
O documento reforça, assim, a visão de que a política monetária restritiva segue sendo necessária para garantir o processo de desinflação. No que diz respeito ao mercado de trabalho, a ata aponta que a taxa de desemprego se mantém em patamares historicamente baixos, ao mesmo tempo em que a taxa de ocupação vem desacelerando. "O Comitê segue atento ao debate sobre as dimensões corrente e estrutural do mercado de trabalho, enfatizando a necessidade do aprofundamento dessa análise para a avaliação dos padrões de transmissão dos níveis de ocupação para os rendimentos do trabalho e, finalmente, para os preços dos diversos setores da economia", conclui o documento. A ata do Copom reforça, portanto, que o comitê seguirá calibrando o ritmo e a magnitude do ciclo de afrouxamento monetário conforme a evolução dos dados econômicos, mantendo postura cautelosa diante dos riscos inflacionários ainda presentes.