Ciclone-bomba se afasta, mas mantém previsão de ventos fortes no Sul e Sudeste

Enchentes que afetaram o Rio Grande do Sul em 2024 © Bruno Peres/Agência Brasil
Ciclone-bomba deixa rastro de destruição no Sul e Sudeste, com rajadas de até 90 km/h previstas para este sábado
O ciclone-bomba que atingiu o Centro-Sul do Brasil se afasta em direção ao oceano, mas ainda mantém previsão de ventos fortes em áreas do Sul e do Sudeste neste sábado (8).
Segundo a Climatempo, rajadas podem chegar a 90 km/h em pontos do Paraná e de Santa Catarina, enquanto São Paulo pode registrar ventos de até 70 km/h.
Uma nova frente fria deve voltar a alterar as condições climáticas no Centro-Sul, com risco de temporais. Chuva forte é esperada principalmente no Paraná, em Santa Catarina e em São Paulo, com possibilidade de alcançar partes de Mato Grosso do Sul, além de reforçar o frio na região Sul do país.
No mar, a agitação aumenta e ondas grandes começam a chegar ao litoral neste fim de semana. Neste sábado, elas podem alcançar 2,5 metros no Sul e avançar até São Paulo e Rio de Janeiro. No domingo (9), as ondas devem ficar entre 2 e quase 3 metros no Sul e no Sudeste.
A previsão indica ventos de 50 a 70 km/h em trechos do Sudeste e do Centro-Oeste. As rajadas podem atingir o centro-sul e o leste de São Paulo, o extremo sul de Minas Gerais, o litoral do Rio de Janeiro e do Espírito Santo, além da metade oeste e do centro-sul de Mato Grosso do Sul e do sudoeste de Mato Grosso.
Previsão por cidade
O Rio de Janeiro pode ter melhora do tempo ao longo do dia, mas segue com ventos em destaque. Há chance de chuva fraca nas primeiras horas, e a temperatura pode chegar a 31°C.
Belo Horizonte deve ter fim de semana de tempo firme e calor, com máxima perto de 32°C e umidade relativa do ar entre 20% e 30% em parte de Minas Gerais.
Curitiba deve ter aumento de chuva e trovoadas, além de ventania. A máxima prevista para hoje é de 21°C, e no domingo a chuva pode ganhar força, com queda da máxima para cerca de 17°C.
Porto Alegre pode ter chuva fraca e isolada pela manhã e depois tempo firme, mas frio. A máxima fica em torno de 15°C neste sábado e pode chegar a cerca de 16°C no domingo.
O ciclone-bomba é o nome dado quando uma área de baixa pressão se intensifica rapidamente. Esse tipo de sistema costuma aumentar o risco de ventos fortes, chuva intensa e queda brusca de temperatura.
Mesmo com o afastamento do ciclone-bomba, alertas de vento seguem ativos em trechos do litoral do Sul e do Sudeste. Na noite desta sexta-feira (7), o Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia) mantinha avisos para as costas do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro e Espírito Santo em vigor até a noite deste sábado.
A passagem do sistema nos últimos dias provocou transtornos e reforçou a entrada de ar frio no Sul. O Rio Grande do Sul registrou rajadas acima de 120 km/h, uma morte e ao menos cinco feridos na sexta-feira (7), além de risco de geada em áreas do estado com a queda de temperatura.
A morte registrada é de um motociclista de aproximadamente 30 anos, após a queda de uma árvore em Montenegro, na região metropolitana de Porto Alegre. A Defesa Civil informou que dois feridos seguiam hospitalizados até o fim da tarde de sexta.
Apesar do caos atmosférico causado nas regiões, o ciclone-bomba não passou diretamente sobre os estados. Os impactos sentidos foram indiretos, com a formação de instabilidade durante a passagem do fenômeno pelo oceano.
Os eventos climáticos no Rio Grande do Sul não aconteceram somente por causa do ciclone-bomba, mas sim por uma combinação de fatores.
O ápice do mau tempo no Rio Grande do Sul aconteceu na tarde e na noite de quinta-feira, quando um tornado atingiu a cidade de Pedro Osório, município localizado a 290 km da capital gaúcha. Houve destelhamento de casas, e a prefeitura informou que ainda realiza o levantamento dos danos, sem registros de vítimas.
Segundo a Defesa Civil, o tornado foi localizado, com reporte no interior do município, e atingiu uma casa em área não urbanizada.
Até a noite de sexta, 114 municípios reportaram danos em casas e infraestruturas públicas no Rio Grande do Sul. A Defesa Civil do estado informou também que 2.306 pessoas estão desalojadas, sem relatos de desabrigados.
As cidades com mais moradores afetados são Novo Cabrais, Eldorado do Sul, Nova Hartz, Novo Hamburgo, Portão, Sapiranga, Santo Antônio da Patrulha e São Leopoldo.
Rio Pardo também registrou danos significativos em mais de 140 residências e repartições públicas.
No Rio de Janeiro, foram contabilizadas 22 ocorrências relacionadas ao vento, sendo a maior parte delas quedas de árvores, sem vítimas.
O Governo do Estado decretou ponto facultativo, enquanto a prefeitura e o governo orientaram a antecipação do encerramento de expediente para todos que não realizavam atividades essenciais.
Um gabinete de crise formado pelo Corpo de Bombeiros e pela Defesa Civil passou a monitorar a situação no estado.
As rajadas mais fortes no estado do Rio de Janeiro foram registradas em Angra dos Reis, na Costa Verde. Segundo o COR-Rio (Centro de Operações Rio), os ventos chegaram a 88,7 km/h na Praia do Abraão às 11h de sexta.
No município do Rio, a rajada mais forte foi de 66,6 km/h no Aeroporto do Galeão entre 11h e 12h, com oito quedas de árvores registradas.
Aulas foram canceladas em escolas públicas municipais e estaduais da capital carioca, e a UERJ (Universidade do Estado do Rio de Janeiro) e a UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) também suspenderam as atividades.
Em São Paulo, os ventos mais fortes aconteceram na região do litoral na manhã de sexta. Em Santos, uma rajada de 109 km/h foi registrada pela Defesa Civil às 7h, sendo a maior até o momento. Árvores de grande porte caíram na cidade.
A Capitania dos Portos fechou o porto de Santos para navegação às 6h45 de sexta, e as travessias de balsa para Vicente de Carvalho e Guarujá foram paralisadas por "impraticabilidade", sendo retomadas às 7h25.
As prefeituras de Bertioga, Itanhaém, Peruíbe e Ubatuba suspenderam as aulas por prevenção.
O estado de São Paulo também ativou um gabinete de crise para monitorar os danos causados pelo temporal, com membros do Corpo de Bombeiros, da Polícia Rodoviária, da Defesa Civil, de concessionárias de luz e de gás e das agências reguladoras do estado.
O ciclone-bomba segue sendo monitorado pelas autoridades mesmo após o seu afastamento, dado o potencial de impactos ainda esperados neste fim de semana.