Recuperação da Casas Bahia afeta seguradoras e fornecedores

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Recuperação judicial da Casas Bahia pode gerar perdas para seguradoras de crédito e centenas de fornecedores no Brasil
A recuperação judicial da Casas Bahia, solicitada após a varejista registrar um prejuízo de R$10 bilhões no segundo trimestre de 2023, pode gerar perdas relevantes para seguradoras de crédito comercial e fornecedores. Fontes do mercado apontam que a reestruturação da empresa poderá colocar à prova o apetite pelo risco de crédito no setor de varejo brasileiro, reacendendo memórias do colapso da Americanas em 2023. Documentos judiciais e listas de credores consultados pela The Insurer revelam que a reestruturação da Casas Bahia envolveu centenas de credores, entre grandes bancos, fabricantes e seguradoras, evidenciando o amplo alcance da varejista na cadeia de suprimentos de bens de consumo do Brasil. O prejuízo registrado no segundo trimestre contrasta fortemente com os R$555 milhões de perdas no mesmo período do ano anterior.
As seguradoras de crédito comercial podem enfrentar pedidos de indenização caso os recebíveis dos fornecedores estejam cobertos por seguro e existam apólices destinadas a compensar perdas. Entre as seguradoras internacionais que, segundo fontes do mercado, podem ter exposição a fornecedores da Casas Bahia estão Allianz Trade, Coface e Atradius, além de seguradoras com operação local, como AIG, Chubb, Avla e Cesce. A dimensão dos recebíveis segurados, no entanto, não pôde ser determinada apenas com base na relação de credores. As listas de credores mostram que Digio, do Grupo Bradesco, e Banco do Brasil estão entre os maiores credores financeiros da Casas Bahia, com créditos de aproximadamente R$2,6 bilhões e R$2,4 bilhões, respectivamente. Em seguida, aparece a gestora de investimentos Riza, com créditos de cerca de R$804 milhões. A fabricante Whirlpool possui exposição de R$165 milhões, assim como fornecedores de eletrônicos como Samsung, LG Electronics, Electrolux, Apple, Lenovo e Hisense, que também constam na relação de credores.
A entrada da Casas Bahia em recuperação judicial trouxe de volta as lembranças do pedido de recuperação judicial da Americanas em 2023, considerado o maior calote corporativo da história do Brasil. A Americanas pediu recuperação judicial após revelar inconsistências contábeis superiores a R$20 bilhões, posteriormente estimadas em cerca de R$25 bilhões. A Atradius informou, em relatório de 2025, que fornecedores da Americanas tinham aproximadamente US$740 milhões a receber e que os sinistros segurados custaram às seguradoras de crédito cerca de US$370 milhões.
Fontes da indústria afirmam que a reestruturação da Casas Bahia pode desencadear uma revisão semelhante dos limites de crédito e do apetite por risco em toda a cadeia de suprimentos dos setores de varejo e bens de consumo do Brasil. Fundada em 1952 pelo empresário polonês-brasileiro Samuel Klein como uma varejista de bens domésticos voltada para famílias de baixa e média renda, a Casas Bahia passou por uma reestruturação em 2025 quando a gestora Mapa Capital assumiu o controle da empresa por meio da conversão de dívida em participação acionária. O filho do fundador e bilionário empresário Michael Klein permanece como acionista minoritário. Casas Bahia, Banco do Brasil, Chubb, Whirlpool, Atradius e Allianz Trade se recusaram a comentar. Coface, AIG, Avla, Cesce, Samsung, LG Electronics, Electrolux, Lenovo, Hisense, Banco Digio e Riza não responderam aos pedidos de comentário até o momento da publicação.