Ações da Braskem sobem 14,5% após acordo com Petrobras

Foto: Reprodução
A Braskem ampliou o limite de crédito com a Petrobras de R$ 350 milhões para R$ 2,35 bilhões em meio à recuperação extrajudicial
As ações da Braskem lideraram os ganhos na Bolsa de Valores brasileira B3, subindo 14,5% após a empresa anunciar um acordo com a Petrobras que amplia significativamente o limite de crédito entre as duas companhias para o fornecimento de insumos. O movimento ocorre em meio ao pedido de recuperação extrajudicial protocolado pela petroquímica, e representa uma recuperação parcial das perdas acumuladas ao longo da semana.
Os papéis ordinários (ON) da Braskem chegaram a R$ 3,55 às 13h50, na máxima do dia, após terem recuado 11,4% na sessão anterior, atingindo R$ 3,10 — a mínima histórica da companhia — em meio a quatro pregões consecutivos de queda. A retirada das ações dos índices da Bolsa, motivada pelo pedido de recuperação extrajudicial, havia intensificado as perdas nos dias anteriores.
A Petrobras elevou o teto da linha de crédito destinada à aquisição de matérias-primas de R$ 350 milhões para R$ 2,35 bilhões. O contrato prevê o pagamento das matérias-primas no prazo de 30 dias e tem vigência até o final de 2026, com manutenção dos efeitos até o vencimento das faturas emitidas durante o período de vigência. Entre as garantias estabelecidas no acordo está uma cessão fiduciária de direitos creditórios de clientes da Braskem no montante aproximado de R$ 1 bilhão por mês. Esse valor deverá ser depositado em uma conta vinculada com retenção mínima de R$ 300 milhões.
Após atingir esse patamar, e desde que a Braskem esteja adimplente, os valores pagos nessa conta serão transferidos de volta à empresa. O documento emitido pelas duas companhias estabelece ainda que o limite de crédito somente se tornará efetivo após a constituição das contas vinculadas e a existência de saldo mínimo de R$ 150 milhões. Também está prevista a suspensão do limite, a exclusivo critério da Petrobras, em caso de descumprimento do fluxo mínimo mensal de recebíveis direcionados à conta vinculada.
A Braskem protocolou o pedido de recuperação extrajudicial na Justiça de São Paulo nas primeiras horas de segunda-feira. Com esse passo, a petroquímica inicia uma nova etapa para renegociar as condições de pagamento em termos de prazos e valores. Segundo fato relevante divulgado pela empresa, o objetivo é assegurar um ambiente jurídico estável, descrito como "adequado para a negociação e implementação da reestruturação das suas obrigações financeiras quirografárias no montante aproximado de US$ 10,9 bilhões". Apesar da sobrevida de 90 dias proporcionada pelo pedido de recuperação extrajudicial, os desafios que levaram a Braskem a essa situação permanecem. Para superar a crise, a empresa precisa convencer os credores a aceitarem condições que já foram rejeitadas anteriormente, além de persuadir os acionistas Petrobras e IG4 Capital a realizarem aportes financeiros.
Especialistas apontam que tanto a Petrobras quanto o IG4 tratam um aporte como última opção. A emissão de novas ações tende a ser o caminho mais provável, segundo Júlio Moretti, CEO da NEOT, especializada em gestão de recuperações judiciais e falências. Por outro lado, Cláudio Santos, sócio da consultoria Galeazzi, ressalta que o patrimônio líquido negativo de R$ 13 bilhões da Braskem torna essa alternativa pouco atrativa. "Dinheiro do acionista é o que eles vêm pedindo desde o começo, e é o que muda o tom da conversa, porque enquanto o acionista não coloca nada, qualquer proposta é lida como transferência de valor em mão única", afirma. O avanço das ações nesta sessão reflete o alívio do mercado com o novo acordo de crédito, mas a situação financeira da Braskem ainda exige soluções estruturais para que a empresa consiga superar definitivamente a crise em que se encontra.