Brasil e Índia assinam memorando de entendimento de setores produtivos

Foto: Marcello Casal JrAgência Brasil
ApexBrasil e Índia assinam memorando enquanto Brasil retoma diálogo com os EUA sobre tarifas na próxima segunda-feira
A ApexBrasil e a Confederação da Indústria Indiana assinaram, nesta quinta-feira (27), um memorando de entendimento com o objetivo de aproximar os setores produtivos do Brasil e da Índia. A iniciativa integra a estratégia do governo federal de diversificar parceiros comerciais e reduzir os impactos das sobretaxas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. Ao mesmo tempo em que busca novos mercados, o governo prepara a retomada formal do diálogo com a administração de Donald Trump.
O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Márcio Elias Rosa, se reunirá virtualmente na próxima segunda-feira (31) com Jamieson Greer, representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR). O chanceler Mauro Vieira também participará do encontro. A reabertura das negociações ocorre após uma ligação telefônica entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente norte-americano. Segundo Márcio Elias Rosa, o telefonema foi decisivo para destravar a mesa de negociação sem que o Brasil precisasse fazer concessões prévias unilaterais.
De acordo com o ministro, a diretriz estabelecida pelo Palácio do Planalto é ampliar as rotas de exportação nacional. Nos últimos anos, segundo ele, a relação comercial com a Índia registrou alta de 82%. Entre os pontos destacados no diálogo bilateral com o país asiático, está a expansão do atual acordo de preferências tarifárias Mercosul-Índia, hoje restrito a 450 linhas de produtos. Segundo Márcio Elias Rosa, há interesse mútuo em setores como a indústria farmacêutica, bioenergia, biocombustíveis, fertilizantes e dispositivos médicos. O Brasil também busca parcerias para a exploração de minerais críticos, com atenção ao desenvolvimento de tecnologia nacional. "O Brasil quer ter parceria para a exploração de minerais críticos com todos os países, nunca em detrimento de algum ou para favorecer outro", ressaltou Rosa.
Para a reunião virtual da próxima segunda-feira com autoridades norte-americanas, Márcio Elias Rosa indicou que podem ser abordadas listas de exceções tarifárias. A possibilidade de aplicação da Lei de Reciprocidade também estará na pauta de discussão. O ministro enfatizou que o país manterá a postura de defesa dos interesses locais, com apoio a empresas afetadas por meio de medidas emergenciais, como o programa Brasil Soberano. "Negociador pessimista perde. Então eu sou otimista. Agora, é óbvio que vai ser um diálogo difícil. Nós não vamos propor nada que não favoreça o interesse brasileiro. Jamais proporíamos algo que pudesse causar dano à economia nacional", pontuou Márcio Elias Rosa. A assinatura do memorando entre a ApexBrasil e a Confederação da Indústria Indiana representa um passo concreto na estratégia brasileira de diversificação comercial, enquanto o governo se prepara para negociar diretamente com Washington a redução das sobretaxas que afetam os produtos nacionais.