PGR pediu diligências contra vice de Flávio em maio por suposto crime de estupro

Foto: Câmara dos Deputados/Reprodução
PGR pediu diligências em maio sobre suposto crime de estupro, mas PF só recebeu a solicitação em agosto, após anúncio da candidatura de Gaspar
A Procuradoria-Geral da República (PGR) encaminhou ao Supremo Tribunal Federal (STF), desde maio, um pedido de diligências da Polícia Federal (PF) relacionado ao deputado Alfredo Gaspar (PL-AL), indicado como vice na chapa de Flávio Bolsonaro (PL) para as eleições municipais. O caso envolve um suposto crime de estupro de vulnerável, e a PF só recebeu a solicitação na quarta-feira (5/8), após o anúncio da candidatura de Gaspar. Segundo fontes da PGR ouvidas pela coluna, o pedido foi encaminhado pelo órgão ao STF em 21 de maio.
No entanto, a Polícia Federal só teve acesso à solicitação meses depois, coincidindo com o momento em que Flávio Bolsonaro oficializou Alfredo Gaspar como seu candidato a vice-presidente em uma chapa considerada "puro-sangue" pelo próprio Flávio. A denúncia contra Alfredo Gaspar foi apresentada pelo deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) e pela senadora Soraya Thronicke (PSB-MS). Os parlamentares tornaram pública a acusação em 27 de março, no último dia da CPMI do INSS no Congresso Nacional, comissão da qual Gaspar exercia o papel de relator.
No final de abril, o pedido formal de abertura de inquérito foi apresentado ao STF. O caso ficou sob a responsabilidade do ministro Gilmar Mendes, atual decano da Corte, que solicitou posicionamento da PGR. Até o momento, contudo, o órgão não emitiu nenhum parecer sobre o assunto. De acordo com interlocutores do procurador-geral da República, Paulo Gonet, a PGR só pretende se pronunciar sobre o pedido de abertura de inquérito após receber o resultado das diligências realizadas pela PF.
O ministro Gilmar Mendes, por sua vez, também indicou que só tomará uma decisão depois de receber o parecer de Gonet. Sobre o intervalo entre o pedido de diligências feito pela PGR e o efetivo envio da solicitação à PF, Gilmar informou a interlocutores que a demora se deve a questões de tramitação interna dos processos no Supremo. Vale lembrar que a Corte ficou em recesso durante todo o mês de julho, o que contribuiu para o atraso no andamento do caso envolvendo Alfredo Gaspar.