Alcolumbre e Lula retomam diálogo após meses sem contato

Senador e presidente do Congresso,Davi Alcolumbre
Encontro em jantar no STF quebra o gelo entre os dois, mas pautas prioritárias do governo seguem sem votação garantida no Senado
Pela primeira vez em pelo menos quatro meses, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente do Congresso Nacional, Davi Alcolumbre (União-AP), voltaram a se encontrar pessoalmente. O reencontro aconteceu em um jantar organizado pelos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes e Cristiano Zanin, na residência de Moraes, na última terça-feira (4/8). O evento serviu para quebrar o gelo entre os dois, que não se falavam desde que o Senado, sob articulação de Alcolumbre, rejeitou a indicação de Jorge Messias para o STF no dia 29 de abril — a maior derrota legislativa já sofrida por Lula. Desde então, o presidente evitou agendas em comum e não demonstrava disposição para retomar o diálogo com o senador amapaense. I
nterlocutores dos dois lados defendiam um reencontro, mas nenhum dos dois tomava a iniciativa. No jantar de terça-feira, Lula e Alcolumbre teriam expressado insatisfações mútuas, mas encerraram o encontro em tom amistoso. A conversa deixou uma porta aberta para novas reuniões, nas quais poderão ser discutidos temas de interesse do governo federal. O Palácio do Planalto tem pelo menos três pautas prioritárias travadas no Senado: a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que extingue a escala de trabalho 6x1, a PEC da Segurança Pública e o projeto de lei que regulamenta a exploração de terras raras no Brasil. Além disso, caso seja reeleito, Lula deverá fazer uma nova indicação ao Supremo e já sinalizou que pretende enviar novamente o nome de Jorge Messias.
O presidente avalia que a derrota de abril foi motivada por fatores políticos, e não por uma rejeição pessoal ao indicado. Mesmo que esses temas sejam tratados por Lula e Alcolumbre em reuniões futuras, não há garantia de que qualquer um deles seja votado em plenário antes das eleições de outubro. Com o foco dos parlamentares voltado ao processo eleitoral, a expectativa é de que o Congresso evite propostas consideradas polêmicas. Apesar de o recesso parlamentar ter se encerrado na última segunda-feira (3/8), a Câmara e o Senado só retomam as atividades a partir da próxima segunda-feira (10/8). Os presidentes da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre, programaram duas semanas de esforço concentrado — entre 10 e 14 de agosto e entre 31 de agosto e 3 de setembro — para votar propostas pendentes. Nas demais semanas, o Congresso deve permanecer esvaziado até o fim do período eleitoral.