Presidente da Colômbia anuncia expulsão de estrangeiros em situação irregular

Abelardo de la Espriella - FOTO: JOAQUIN SARMIENTO
Presidente colombiano, admirador de Trump, anuncia operação para expulsar estrangeiros em situação irregular ainda nesta semana
A Colômbia deve iniciar ainda nesta semana uma operação para expulsar estrangeiros em situação irregular no país. As ações, que serão conduzidas pelos serviços de imigração e pela polícia, foram anunciadas no domingo (23) pelo novo presidente de extrema direita, Abelardo de la Espriella, admirador declarado de Donald Trump.
A medida afeta um país que abriga cerca de 3 milhões de pessoas nascidas no exterior. Empossado em 7 de agosto, Abelardo de la Espriella chegou ao poder com um programa centrado no combate ao crime organizado e ao narcotráfico.
A migração irregular não ocupou papel central durante a campanha eleitoral, mas passou a ganhar destaque nas primeiras semanas de governo. Em discurso realizado em Barranquilla, cidade onde reside e onde instalou uma sede presidencial alternativa — descrita por observadores como uma espécie de "Mar-a-Lago colombiano" —, o presidente foi direto: "Os colombianos primeiro, os colombianos em segundo lugar e, mais uma vez, os colombianos. Que isso fique claro para todo mundo".
Em referência ao slogan "America First", popularizado por Trump nos Estados Unidos, Abelardo de la Espriella deixou claro que não aceitará imigração irregular no país. "Expulsos! É um decreto presidencial que deve ser aplicado já nesta semana", declarou.
Na rede X, o presidente de 48 anos também anunciou com orgulho os resultados de seus primeiros dias à frente do governo: "Dezesseis dias de governo, assinei mais de 30 extradições e continuarei fazendo isso com absoluta determinação. A mensagem para os criminosos é clara: não haverá refúgio, privilégios nem contemplações".
A medida representa uma mudança de postura em relação aos governos conservadores anteriores da Colômbia. Nos últimos anos, governos de direita mantiveram uma política relativamente aberta aos venezuelanos, vistos como vítimas das crises econômicas e políticas dos governos de Hugo Chávez e Nicolás Maduro.
Na prática, Abelardo de la Espriella afirma que pretende concentrar os esforços inicialmente nos migrantes envolvidos em crimes, antes de ampliar a ofensiva aos imigrantes em situação irregular de forma mais ampla.
A justificativa do presidente, no entanto, é contestada por especialistas. Ana Karina Garcia, advogada especializada em direito migratório, questiona a narrativa com base em dados oficiais: "Os números mostram que a criminalidade na Colômbia não tem relação com a nacionalidade, o passaporte ou o fato de a pessoa ser estrangeira. As estatísticas indicam que os crimes cometidos pela população estrangeira não ultrapassam 2% do total".
Segundo a Migración Colombia, órgão responsável pelo controle, monitoramento e análise dos fluxos migratórios, o país se tornou uma zona de trânsito e atualmente registra mais saídas do que entradas de cidadãos venezuelanos.
Dados do órgão mostram que mais de 2,8 milhões de venezuelanos viviam no país em junho, o equivalente a cerca de 6% da população colombiana. Desses, mais de 527 mil estavam em situação migratória irregular.
Marcada por décadas de conflito armado interno, a Colômbia historicamente viu milhões de cidadãos deixarem o país em busca de melhores condições de vida, sobretudo nos Estados Unidos e na Espanha.
A chegada em massa de venezuelanos na última década transformou o país em um dos principais destinos migratórios da América Latina, tornando a questão migratória um tema cada vez mais presente no debate político colombiano.
A decisão de Abelardo de la Espriella sinaliza uma ruptura com essa trajetória recente e reforça o alinhamento do novo governo com as políticas de imigração adotadas por Trump.