Zema se opõe a Flávio em torno de tarifas dos EUA e propõe paliativo

Foto: Elizabete Guimarães/ALMG
Ex-governador mineiro rebate cobrança de Flávio Bolsonaro e defende solução definitiva para o impasse tarifário com os Estados Unidos
O ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo) criticou a criação de uma "solução paliativa" para enfrentar a ameaça de um novo tarifaço americano sobre produtos brasileiros. A declaração foi feita durante uma agenda no Mercado Central de Belo Horizonte, em resposta à cobrança do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) sobre a ausência de outros pré-candidatos à Presidência nas discussões realizadas nos Estados Unidos. Ao conversar com jornalistas, Zema defendeu que o Brasil precisa de uma solução definitiva para o impasse tarifário, e não de medidas temporárias. "Relações internacionais, como eu já disse, é algo que fica ao encargo do Itamaraty. Um senador pode contribuir, sem dúvida alguma, mas o que o Brasil precisa fazer é resolver definitivamente essa questão do tarifaço. Prorrogar é um paliativo que não traz a solução de que nós precisamos", afirmou o ex-mandatário mineiro.
A declaração de Zema veio na esteira de uma crítica feita por Flávio Bolsonaro após sua participação em uma audiência do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), em Washington. O senador foi ao encontro para debater o tema do tarifaço e, durante uma live para seguidores, questionou a ausência dos demais pré-candidatos ao Palácio do Planalto no evento. "Eu senti falta, por exemplo, aqui de outros pré-candidatos a presidente fazendo o que eu fiz aqui, porque era uma audiência pública, as pessoas podiam se inscrever. Cadê os outros pré-candidatos à Presidência da República que não estão aqui defendendo os interesses brasileiros? É muito mais fácil ficar criticando a atuação do Flávio Bolsonaro. Muito mais cômodo. Eu estou aqui fazendo a minha parte, estou longe da minha família, estou aqui defendendo o meu país e vou continuar fazendo porque é convicção", questionou o senador.
Zema respondeu à provocação durante um evento da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo, em Brasília, afirmando que "não foi convidado" para a audiência e que "nem tinha conhecimento" do evento. O ex-governador reforçou sua posição de que o tema das relações internacionais é de responsabilidade do Itamaraty, ainda que parlamentares possam contribuir com o debate. A troca de farpas entre os dois pré-candidatos evidencia as tensões no campo da direita em torno do tema do tarifaço americano, que segue como um dos principais pontos de atenção da política econômica externa brasileira.