Venezuela tem 804 tremores após terremotos; são quase 3 mil mortes confirmadas

Rastro de destruição deixado pelos terremotos em La Guardia - Foto: Federico Parra
Após terremotos de magnitude 7,2 e 7,5 em 24 de junho, a Venezuela acumulou mais de 800 réplicas sísmicas e quase 3 mil mortes confirmadas
Entre 24 de junho e a manhã de 3 de julho, a Fundação Venezuelana de Investigações Sismológicas registrou 804 tremores secundários no território da Venezuela. Os dois sismos iniciais, ocorridos em 24 de junho, tiveram magnitudes 7,2 e 7,5. Do total de réplicas registradas, 98% apresentaram magnitude inferior a 4, nível em que geralmente não são percebidas pela população. Não há consenso técnico sobre o limite que diferencia uma réplica de um novo terremoto independente. Especialistas apontam, no entanto, que o aumento da atividade sísmica após um evento de grande magnitude é um padrão recorrente.
Os eventos de 24 de junho são os de maior magnitude registrados na Venezuela neste século. A Venezuela está situada na zona de contato entre as placas tectônicas do Caribe e da Sul-Americana, o que torna a região suscetível a abalos sísmicos. O Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) informa que não é possível prever a quantidade nem a intensidade de tremores principais ou de suas réplicas, e alerta que os efeitos geológicos podem se prolongar por um longo período. Segundo o USGS, os deslizamentos de terra provocados pelo terremoto de 24 de junho tendem a ser significativos em número e extensão espacial. Áreas próximas a rios e grandes corpos d"água apresentam risco elevado de novos deslizamentos e fluxos de detritos por vários anos.
O órgão acrescenta que as réplicas podem aumentar a suscetibilidade de encostas íngremes a deslizamentos por períodos que variam de meses a anos, o que pode inviabilizar novas construções em diversas regiões. Um levantamento preliminar da Nasa indica que cerca de 59 mil edifícios foram provavelmente danificados ou destruídos. O diretor do Colégio de Engenheiros da Venezuela, Richard Casanova, destacou as condições geográficas agravantes da região: na área de La Guaira, "as montanhas íngremes descem abruptamente até uma faixa costeira estreita, o que canaliza inundações e deslizamentos diretamente para áreas povoadas", contribuindo para o grau de destruição observado.
Especialistas defendem a realização de análises técnicas contínuas para avaliar os danos e a capacidade de reconstrução. Em 28 de junho, a presidente interina do governo venezuelano, Delcy Rodríguez, anunciou a criação de uma comissão para inspecionar estruturas habitacionais afetadas, sem apresentar cronograma definido. O balanço oficial de mortes, divulgado em 4 de julho, é de 2.954. O governo da Venezuela contabiliza mais de 16 mil feridos, enquanto o chefe de ajuda humanitária da ONU estima que há mais de 50 mil desaparecidos.