Valorização seletiva acende insatisfação entre servidores do DER-MG

Sede do Departamento de Estradas de Rodagem de Minas Gerais (DER-MG)
Anúncio de avanços para engenheiros e arquitetos expõe frustração de outros profissionais, que pedem valorização ampla e igualitária
A recente movimentação em torno da valorização de engenheiros e arquitetos no Departamento de Estradas de Rodagem de Minas Gerais (DER-MG) reabriu uma antiga ferida dentro do órgão. Embora ninguém conteste a importância desses profissionais para a estrutura da autarquia, a forma como a medida foi conduzida deixou um rastro de insatisfação entre servidores de outras áreas, que se sentem preteridos e invisíveis.
A reclamação, que ecoa nos corredores da instituição, não é contra a valorização de engenheiros e arquitetos. Esses profissionais são, de fato, essenciais para projetos, obras e decisões técnicas que mantêm a malha rodoviária estadual em funcionamento . O incômodo, segundo relatos de servidores de outras carreiras, reside no recado político e administrativo que a medida transmite: a de que algumas categorias merecem atenção especial, enquanto outras permanecem à margem.
O trabalho no DER-MG, no entanto, é uma engrenagem complexa. A construção e manutenção das rodovias não dependem de uma única categoria. Elas envolvem administradores, contadores, agentes de trânsito, topógrafos, motoristas, equipes operacionais e técnicos que atuam sob sol, chuva e poeira, enfrentando longos deslocamentos e jornadas desgastantes . Para esses servidores, o problema não está em reconhecer uma parte do quadro funcional, mas em fazê-lo sem oferecer uma resposta equivalente ao conjunto da instituição.
A crise de percepção se agravou após as comemorações dos 80 anos do DER-MG, celebradas em maio e junho deste ano. Na ocasião, o discurso institucional foi de reconhecimento à história do órgão e à contribuição de seus servidores para o desenvolvimento de Minas Gerais . Para muitos trabalhadores, aquele momento representou uma promessa simbólica de valorização ampla. Agora, a sensação é de frustração e de que a esperança se transformou em cobrança.
A avaliação predominante entre os servidores é a de que a direção do órgão adotou uma lógica seletiva de reconhecimento. Ao concentrar benefícios em carreiras específicas, a administração acaba alimentando uma divisão interna perigosa: de um lado, categorias mais valorizadas; de outro, aqueles que se sentem deixados para trás. A preocupação é que essa divisão comprometa o desempenho do DER-MG, que funciona como um sistema integrado. "Uma obra não sai do papel apenas com projeto. Uma rodovia não se mantém apenas com assinatura técnica", resume um servidor. Quando uma parte da equipe é desprezada, todo o sistema perde força.
A reivindicação que cresce entre os servidores, portanto, não é contra engenheiros ou arquitetos. É por isonomia, respeito e reconhecimento coletivo. O sentimento que se consolida é simples e direto: se o DER-MG é construído por todos, a valorização também precisa alcançar todos.
Para quem está na ponta, a questão vai além de um ajuste administrativo. É sobre dignidade funcional, pertencimento e a recusa em transformar servidores públicos em categorias de primeira e de segunda classe. Depois de décadas de serviços prestados ao Estado, a cobrança que fica é direta: nenhum servidor deve ser invisível dentro da própria instituição que ajuda a manter de pé. O DER-MG não é feito por poucos. É feito por todos.