Ucrânia lança mais de 400 drones contra Moscou

Foto: Reprodução/FMT
Ataque ucraniano atinge instalações logísticas e depósito de petróleo; Rússia responde com bombardeios em várias regiões
A Ucrânia lançou mais de 400 drones contra Moscou e seus arredores na madrugada de domingo (19) para segunda-feira (20), em um dos maiores ataques aéreos registrados desde o início do conflito. A maioria dos dispositivos foi interceptada pelos sistemas de defesa antiaérea russos, e 85 foram abatidos enquanto se aproximavam da capital. O governador da região de Moscou, Andrei Vorobiov, relatou no Telegram que "o maior dano foi registrado em Podolsk, Domodedovo e no distrito de Odintsovo". Segundo ele, duas pessoas ficaram feridas e diversas infraestruturas civis pegaram fogo. O presidente ucraniano, Volodymyr Zelenski, confirmou o ataque pela rede X, afirmando que a Ucrânia atingiu instalações logísticas russas e um depósito de petróleo na região de Moscou. "Estamos respondendo, de forma legítima, a cada ataque russo contra nossas cidades e comunidades", disse.
Enquanto isso, pelo menos cinco pessoas morreram e outras 23 ficaram feridas nesta segunda-feira em um ataque de drone ucraniano contra um ônibus que circulava na região russa de Belgorod, na fronteira com a Ucrânia. Entre as vítimas estão quatro mulheres e um menino de 11 anos. O governador Alexandre Choumaïev acusou as forças ucranianas de atingir deliberadamente o veículo, que circulava na cidade de Chebekino, a menos de dez quilômetros da fronteira. Três das vítimas encontram-se em estado extremamente grave. Do outro lado da fronteira, a Ucrânia também registrou baixas significativas. Ataques russos deixaram pelo menos cinco mortos e cerca de 30 feridos em diferentes regiões do país nesta segunda-feira.
Em Pavlogrado, na região de Dnipropetrovsk, no centro-leste, duas pessoas morreram e 15 ficaram feridas, conforme informou o chefe da administração regional, Oleksandre Ganja. Em Zaporíjia, no sul, uma pessoa morreu e nove ficaram feridas, segundo o governador regional, Ivan Fedorov. Em Kramatorsk, na região de Donetsk, no leste da Ucrânia, quatro óbitos foram registrados em bombardeios russos, de acordo com a polícia regional. Outras sete pessoas foram atingidas em um ataque contra Kherson, também no sul do país.
Um ataque russo com mísseis contra um navio cargueiro que transportava milho próximo ao porto de Odessa matou dez pessoas no domingo. O Golden Leo, embarcação com bandeira da Guiné-Bissau e tripulação composta por indianos e sírios, foi atingido por três mísseis de cruzeiro russos, segundo a Marinha ucraniana. Uma operação de busca e resgate conseguiu salvar oito dos 17 tripulantes, enquanto nove tripulantes e um prático portuário morreram. Moscou não comentou publicamente o incidente, mas o Ministério da Defesa da Rússia afirmou que suas forças atacaram reservatórios de combustível no porto de Odessa, segundo a agência Interfax. O Mar Negro tornou-se um dos principais focos do conflito desde a invasão russa em 2022.
Apesar de um acordo temporário que permitiu a exportação de grãos pelos dois países, Moscou e Kiev intensificaram os ataques na região nos últimos meses. A Ucrânia, responsável por cerca de 6% das exportações mundiais de trigo e 11% das de milho nas últimas safras, perdeu aproximadamente um terço de sua capacidade de exportação pelos portos do Mar Negro, segundo comerciantes e analistas. Paralelamente, os ataques ucranianos forçaram a Rússia, maior exportadora mundial de grãos, a restringir o tráfego marítimo no Mar de Azov, rota por onde passa cerca de um quarto de suas exportações de cereais.