PP veta Tereza Cristina e Flávio deve continuar sem vice na chapa presidencial

Foto: Senado Federal
PP declara neutralidade nas eleições presidenciais e inviabiliza a indicação de Tereza Cristina como vice na chapa de Flávio Bolsonaro
O PP anunciou nesta sexta-feira que decidiu permanecer neutro na eleição presidencial deste ano, inviabilizando a indicação da senadora Tereza Cristina (PP-MS) como vice na chapa do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). A decisão, tomada por maioria após consulta aos diretórios estaduais do partido, representa um obstáculo direto às articulações do filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro para compor sua candidatura. "O Progressistas, após consulta aos seus diretórios estaduais, decidiu, por maioria, permanecer neutro no processo eleitoral", informou a direção nacional do partido em nota oficial. "Diante disso, reiteramos a posição de não convocar Convenção Nacional. A decisão já foi comunicada e acatada pela nossa líder no Senado Federal, senadora Tereza Cristina", ressaltou a legenda.
Para que Tereza Cristina pudesse integrar a chapa de Flávio como vice, o PP precisaria estar formalmente coligado com o PL. Além disso, o prazo para mudança de partido com vistas à eleição de outubro já expirou, tornando a situação ainda mais complexa do ponto de vista jurídico e eleitoral. Pouco antes do anúncio do PP, Flávio Bolsonaro havia declarado publicamente que Tereza Cristina havia aceitado o convite para ser sua vice, mas que a concretização dependia da aprovação do partido. "A Tereza Cristina é um quadro excepcional, foi ministra do presidente Bolsonaro, é uma referência em várias áreas, em especial no agro. Respeitadíssima dentro da política, dentro do país e fora do país. Então o convite foi feito, ela aceitou. Agora estamos nas conversas para saber se o partido vai avançar ou não", afirmou ele em entrevista durante agenda em São Paulo.
Tereza Cristina, que foi ministra da Agricultura no governo do ex-presidente Jair Bolsonaro, pai de Flávio, deve concorrer a um novo mandato ao Senado. Segundo uma pessoa próxima a ela, a senadora também aspira à presidência da Casa em fevereiro de 2027. Uma parlamentar influente do PP disse à Reuters que a decisão de não se coligar com o partido de Flávio já estava tomada e que representa o melhor caminho para os interesses da legenda, cuja prioridade é eleger uma bancada maior de deputados federais. "A neutralidade para eleição dos deputados federais é o melhor caminho do ponto de vista estratégico", afirmou a fonte, acrescentando ainda que um impedimento estatutário do partido exige a publicação de um edital com oito dias de antecedência para a formalização de qualquer coligação — o que seria inviável, dado que o prazo final para fechar alianças é 5 de agosto.
Outro nome que chegou a ser cogitado para a vice de Flávio foi o da economista Daniella Marques, que presidiu a Caixa Econômica Federal durante o governo Bolsonaro e mantém proximidade com Paulo Guedes, então ministro da Economia. No entanto, Daniella é filiada ao Republicanos, legenda que também resiste a se coligar formalmente com o PL. Tanto o PP quanto o Republicanos são partidos que tiveram ministros no atual governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo fontes, Lula trabalhou nos bastidores para evitar que ambas as legendas se coligassem com o PL de Flávio. Diante desse cenário, a perspectiva mais provável é que Flávio Bolsonaro lance uma chapa com um nome do próprio PL para a vice-presidência. Entre os cotados estão as deputadas Julia Zanatta (SC) e Bia Kicis (DF), a vereadora de Fortaleza Priscilla Costa e o senador Rogério Marinho (RN), atual coordenador-geral da campanha de Flávio.