Tereza Cristina na mira do agronegócio para candidatura presidencial

política brasileira Tereza Cristina Corrêa da Costa Dias
Empresários do Cosag e agropecuaristas do MS articulam candidatura de Tereza Cristina à Presidência pelo PP-MS
A ideia de lançar a ex-ministra da Agricultura Tereza Cristina como candidata à Presidência da República ganhou força entre empresários do agronegócio. O movimento nasceu de conversas entre membros do Cosag, o Conselho do Agronegócio da Fiesp, entidade que tem a própria Tereza Cristina na presidência. O assunto se expandiu por meio de uma consulta realizada em um grupo de WhatsApp com 105 membros, cujo convite partiu de Jacyr Costa, ex-presidente do órgão e atual diretor financeiro da Fiesp.
O diretor-presidente da Alagro, Manoel Mário de Souza Barros, de Minas Gerais e também integrante do Cosag, apoiou e confirmou a posição. Há, inclusive, uma pesquisa realizada pela própria Fiesp sobre o tema. Inicialmente, Tereza Cristina não se manifestou sobre a possibilidade. Posteriormente, um grupo de agropecuaristas do Mato Grosso do Sul também demonstrou apoio à candidatura. Ao receber o pedido de um empresário, Tereza Cristina respondeu "que estava pronta e que não dependia somente dela, precisando receber a legenda do partido", que é o PP-MS. Enquanto o cenário político do agronegócio se movimenta, o governo brasileiro busca alternativas para enfrentar as tarifas e bloqueios comerciais que vem sofrendo.
O Brasil decidiu recorrer à OMC, a Organização Mundial do Comércio, contra as tarifas impostas por Donald Trump. No entanto, trata-se de um caminho considerado sem perspectiva de resultado rápido, já que outros 59 países estão na mesma situação e o processo é longo. Além disso, o governo brasileiro avalia entrar com ação na OMC também contra a União Europeia, que pretende bloquear, a partir de setembro, a entrada de carne bovina no bloco europeu. O motivo é o uso de antimicrobianos nos animais, uma exigência que constava no contrato comercial firmado com a União Europeia desde 2019 e que, segundo críticos, o Brasil não cumpriu adequadamente. O tema vai além do protecionismo comercial. Segundo o Centro de Prevenção e Controle de Doenças do bloco europeu, infecções provocadas por superbactérias resistentes aos antimicrobianos causam a morte de 35 mil pessoas por ano na Europa, uma realidade que custa 12 bilhões de euros anuais aos cofres europeus. Os dados oficiais divulgados sobre o uso de determinados antimicrobianos nos animais embasam a decisão europeia, contrariando a narrativa do governo brasileiro de que se trata apenas de protecionismo.