Teatro Amazonas e Theatro da Paz são reconhecidos como Patrimônio da Unesco

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Teatro Amazonas e Theatro da Paz são reconhecidos pela Unesco como Patrimônio Mundial, elevando para 26 os sítios brasileiros na lista.
O Teatro Amazonas, em Manaus, e o Theatro da Paz, em Belém, foram incluídos nesta segunda-feira (27) na lista do Patrimônio Mundial da Unesco. A decisão foi tomada durante reunião do comitê da organização em Busan, na Coreia do Sul, e eleva para 26 o número de sítios brasileiros reconhecidos pela entidade. O conjunto foi inscrito sob a denominação "Teatros da Amazônia", representando a prosperidade econômica e o intercâmbio cultural da região durante a chamada "Belle Époque" da borracha. Os dois edifícios são heranças da "era de ouro" da Amazônia brasileira, impulsionada pelo ciclo da borracha entre o fim do século 19 e o início do século 20.
Segundo o comitê da Unesco, reunido até quarta-feira (29) em Busan, os teatros foram concebidos como "símbolos de ambição política". O reconhecimento também abrange a Praça da República, em Belém, e o Largo de São Sebastião, em Manaus, espaços públicos situados em frente a cada um dos teatros. O Theatro da Paz, inaugurado em 1878, "afirmou o papel estratégico da cidade de Belém como porto e capital do estado" do Pará, conforme destacou a Unesco. Com cerca de 1,4 milhão de habitantes, Belém sediou no ano passado a COP30.
Já o Teatro Amazonas, com sua emblemática fachada rosa, foi inaugurado em 1896 e "encarnou a riqueza e o prestígio da capital do estado do Amazonas", segundo a organização. O Teatro Amazonas, construído em estilo neorrenascentista, ganhou projeção internacional ao servir de cenário para o filme "Fitzcarraldo" (1982), do cineasta alemão Werner Herzog. A produção, estrelada por Klaus Kinski e Claudia Cardinale, rendeu a Herzog o prêmio de Melhor Direção no Festival de Cannes de 1982. O ciclo da borracha (1879-1912) trouxe prosperidade econômica para a maior floresta tropical do mundo.
Historiadores, no entanto, ressaltam que o trabalho forçado provocou a morte de numerosas populações indígenas durante esse período. Em nota conjunta, o Ministério das Relações Exteriores, o Ministério da Cultura e o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) destacaram que os dois teatros são uma expressão das transformações econômicas, urbanas e culturais vividas pela Amazônia no final do século 19, além de refletirem a inserção da região em correntes arquitetônicas e artísticas internacionais. Segundo o governo brasileiro, a inscrição foi aprovada com base nos critérios da Convenção do Patrimônio Mundial relacionados ao intercâmbio de valores humanos e à representatividade de um conjunto arquitetônico de grande significado histórico. Com a inclusão dos "Teatros da Amazônia", o Brasil passa a contar com 26 sítios inscritos na Lista do Patrimônio Mundial da Unesco, sendo 16 culturais, nove naturais e um misto.