Sóstenes Cavalcante nega crimes e fala em perseguição

Foto: Agência Câmara de Notícias
Líder do PL na Câmara classifica investigação da PF como perseguição política após nova fase da Operação Rent a Car
O deputado Sóstenes Cavalcante (RJ), líder do PL na Câmara dos Deputados, classificou a investigação conduzida pela PF (Polícia Federal) contra ele como uma perseguição política motivada pelo cargo que ocupa. A declaração foi feita à imprensa na manhã desta quinta-feira, um dia após aliados do parlamentar serem alvos de mandados de busca e apreensão.
Ao falar com jornalistas, Sóstenes Cavalcante defendeu sua inocência e atribuiu a abertura do inquérito ao momento em que foi anunciado como líder do maior partido da Câmara. "A origem dessa investigação que está [aberta] contra mim há um ano e meio, desde que eu ainda era vice-presidente desta Casa e foi anunciado que seria o líder do PL, não é nada à toa.
Quando se anuncia que eu seria o líder do PL, começa-se um processo de investigação, que para mim é uma clara perseguição por eu ser o líder do maior partido na Câmara", afirmou o deputado. O parlamentar também lamentou o que chamou de injustiça: "a grande injustiça que estão cometendo com alguém que nunca sequer cometeu um crime".
A operação deflagrada na véspera, denominada Galho Fraco 2, é a terceira fase da Operação Rent a Car. Em dezembro de 2025, Sóstenes Cavalcante e o deputado Carlos Jordy (PL-RJ) já haviam sido alvos da primeira fase da investigação, que apura um suposto esquema de desvio de cota parlamentar envolvendo locação de veículos e lavagem de dinheiro.
Na ocasião, agentes da PF apreenderam cerca de R$ 460 mil em espécie em um apartamento do parlamentar. Horas depois, Sóstenes afirmou que o valor era proveniente da venda de um imóvel e que seus advogados apresentariam provas, mas não explicou o motivo pelo qual recebeu o montante em dinheiro vivo. Sobre o suposto esquema de aluguel de veículos, Sóstenes Cavalcante declarou nesta quinta-feira que possui apenas um Corolla alugado por R$ 4.500 para uso próprio. "Dizem que lavamos dinheiro desse contrato. Ora, para você lavar dinheiro do contrato, você não deveria estar usando o carro, o que é obvio", justificou o líder do PL.
Além do próprio deputado, o advogado e pessoas ligadas a Sóstenes Cavalcante também foram alvos da operação desta semana. Segundo as investigações, essas pessoas teriam sido responsáveis por sacar o dinheiro apreendido e por tentar fraudar o inquérito, construindo uma versão alternativa sobre a origem dos recursos.
Em nota, a Polícia Federal informou que "as investigações apontam indícios de possível esquema envolvendo agentes públicos, particulares e pessoas jurídicas supostamente utilizadas para dar aparência de legalidade à movimentação de recursos públicos". Sóstenes Cavalcante segue na liderança do PL na Câmara enquanto as investigações avançam para sua terceira fase, com o parlamentar negando qualquer irregularidade e reiterando que as ações da PF têm motivação política.