Sóstenes Cavalcante é alvo de nova fase de operação da PF

Sóstenes Cavalcante - Foto: Reprodução/Câmara dos Deputados
PF investiga se Sóstenes Cavalcante e aliados criaram versão falsa para justificar R$ 430 mil apreendidos em espécie
A Polícia Federal investiga se Sóstenes Cavalcante, líder do PL na Câmara dos Deputados, e seus aliados elaboraram uma versão falsa para justificar a origem dos R$ 430 mil em dinheiro vivo apreendidos em seu endereço em Brasília. A operação desta manhã teve como alvos advogados ligados ao parlamentar, com o objetivo de aprofundar as investigações sobre um suposto esquema de desvio de recursos da cota parlamentar por meio de contratos de locação de veículos. A PF apura possíveis tentativas de ocultação ou alteração de provas no caso. Sóstenes Cavalcante não foi alvo direto da ação desta terça-feira, mas agentes já haviam cumprido mandados de busca e apreensão em seus endereços em dezembro do ano passado.
O parlamentar voltou a negar qualquer irregularidade e afirmou que o dinheiro encontrado é proveniente da venda de um imóvel. — Uma dessas pessoas (alvos da operação) foi o comprador do imóvel (a que ele atribui o dinheiro em espécie). Nenhum dos alvos é meu advogado. Podem fazer operação a vontade, quem não deve não teme — afirmou o parlamentar. Durante a operação de dezembro do ano passado, agentes encontraram R$ 430 mil em espécie dentro de um saco de lixo guardado no armário do flat alugado por Sóstenes Cavalcante em Brasília.
Na ocasião, o deputado explicou que o valor era resultado da venda de um imóvel localizado em Ituiutaba (MG) e que ainda não havia sido depositado em conta bancária por conta da rotina intensa de trabalho. — O valor encontrado é oriundo de contrato limpo, venda de um imóvel. Quem quer viver de dinheiro de corrupção não mantém dinheiro lacrado. É dinheiro lícito — disse Sóstenes. — Eu vendi um imóvel e recebi em dinheiro lacrado, é declarado em meu Imposto de Renda. Eu recebi o dinheiro recentemente e, com a correria do trabalho, acabei não fazendo o depósito.
Questionado sobre os detalhes da operação de venda do imóvel, Sóstenes Cavalcante não forneceu informações adicionais, afirmando que prestará os esclarecimentos nos autos do processo. Vale destacar que, ao Tribunal Superior Eleitoral, ele declarou em 2022 possuir apenas R$ 4.926,76 de patrimônio, distribuídos entre duas contas bancárias. O deputado também negou irregularidades no uso da cota parlamentar.
A PF suspeita de um esquema de desvio de verbas por meio de contratos para aluguel de veículos via gabinete na Câmara dos Deputados. Sóstenes Cavalcante rebateu as suspeitas com veemência. — Querem pegar um carro alugado e um dinheiro de imóvel para desviar o foco da população. Eu vou até o fim, eu não temo investigações. Estão dizendo que lavo dinheiro de um contrato de R$ 4.500. Poderiam ver as câmeras da Câmara. O carro tem dois anos de uso, e sempre esteve aqui, sendo filmado — afirmou o líder do PL na ocasião.
Em janeiro deste ano, o jornal O GLOBO revelou que a escritura de venda do imóvel só foi registrada em cartório no dia 30 de dezembro, ou seja, 11 dias após a operação da PF que resultou na apreensão do dinheiro. O imóvel havia sido adquirido por Sóstenes Cavalcante em fevereiro de 2023, por R$ 310 mil, e foi vendido a um advogado cujo escritório fica a menos de 500 metros da propriedade, pelo valor de R$ 500 mil.
Na escritura, registrada somente após a ação policial, consta que o deputado declarou ter recebido integralmente os R$ 500 mil em espécie no dia 24 de novembro, cerca de um mês antes da operação da PF. Tanto Sóstenes Cavalcante quanto o advogado comprador afirmaram que foi nessa data que ocorreu a "celebração do contrato de compra e venda", embora o primeiro registro em cartório só tenha acontecido após a operação no mês seguinte.
O documento registra ainda que ambos assinaram a escritura "pela plataforma e-notariado", que permite a realização do ato sem a necessidade de comparecer presencialmente ao cartório. As medidas autorizadas pelo Supremo Tribunal Federal nesta manhã foram cumpridas no Distrito Federal, em Goiás e em Minas Gerais. A operação investiga a suposta prática dos crimes de peculato, lavagem de dinheiro, fraude processual e organização criminosa. Conforme a PF, "há também indícios de possíveis tentativas de ocultação ou alteração de provas, o que pode caracterizar fraude processual".