Rússia nega interferência eleitoral após novas acusações de Trump

Porta-voz do Kremlin Dmitry Peskov em Moscou - Sputnik/Valeriy Sharifulin/Pool
Kremlin rejeita acusações de Trump sobre influência russa nas eleições americanas, enquanto tribunais e agências dos EUA não encontraram evidências de fraude
A Rússia rejeitou, nesta sexta-feira (17/7), as acusações dos Estados Unidos de tentativa de interferência nas eleições americanas. O porta-voz do Kremlin negou que o país busca influenciar o resultado das urnas, contrariando declarações que o presidente Donald Trump vem reforçando publicamente.
No discurso proferido na quinta-feira (16/7), Trump direcionou suas acusações principalmente à China, que também condenou as declarações do presidente norte-americano. A Rússia foi mencionada de forma breve, ao lado de países como Irã e Coreia do Norte.
Em suas palavras, Trump afirmou: "Esta noite, estamos publicando uma série de avaliações anteriormente sigilosas da comunidade de inteligência dos Estados Unidos e outros relatórios que comprovam que o nosso governo há muito tempo sabe que essas máquinas são extremamente vulneráveis a ataques. Como afirma uma dessas avaliações: Avaliamos que os adversários dos Estados Unidos, incluindo, no mínimo, Rússia, China, Irã e Coreia do Norte, bem como grupos não estatais, têm capacidade de comprometer a infraestrutura eleitoral dos Estados Unidos".
As alegações de Trump atribuindo sua derrota a uma suposta fraude nas urnas em 2020 não são recentes. Em fevereiro de 2018, o Departamento de Justiça dos EUA formalizou uma acusação contra 13 cidadãos e três entidades russas por interferir nas eleições presidenciais de 2016. As afirmações apontavam apoio à campanha do então candidato Donald Trump e tentativas de prejudicar a adversária democrata, Hillary Clinton.
Cinco meses depois, Trump declarou não acreditar que a Rússia tivesse interferido nas eleições de 2016, afirmando confiar na palavra de Putin, contrariando as indicações das agências de inteligência dos Estados Unidos. A declaração gerou polêmica e, em entrevista posterior, o republicano recuou em seu discurso.
Somente em março de 2019, após quase dois anos de investigação, Trump foi isentado da acusação de conluio com Moscou. O relatório do procurador especial Robert Mueller concluiu que Trump não havia cometido o crime de conspiração, mas não o isentou da possibilidade de ter cometido obstrução de justiça, afirmando apenas que não havia provas suficientes para condená-lo.
Em 2021, três meses após o início de seu mandato, o ex-presidente democrata Joe Biden anunciou sanções à Rússia em resposta às interferências russas nas eleições americanas de 2016 e a uma operação de ataque virtual que acessou dados de agências governamentais dos EUA.
No entanto, no mesmo ano, uma avaliação não sigilosa da comunidade de inteligência dos EUA indicou não haver indícios de que qualquer ator estrangeiro tenha tentado ou conseguido alterar "qualquer aspecto técnico" da votação da eleição presidencial de 2020, incluindo registros de eleitores, cédulas, apurações ou resultados. Tribunais, auditorias eleitorais e o próprio Departamento de Justiça dos EUA também rejeitaram as acusações sobre suposta vulnerabilidade eleitoral no país, declarando não ter encontrado evidências de fraude, incluindo qualquer manipulação de urnas eletrônicas.
À época, a agência federal de segurança cibernética classificou a votação como "a mais segura da história dos Estados Unidos".