Rui Rezende, o eterno Lobisomem de "Roque Santeiro", morre aos 88 anos

Rui Rezende no Retiro dos Artistas e na novela 'Roque Santeiro' (1985) — Foto: Montagem de fotos: Fernando Lemos e Geraldo Modesto/Rede Globo
Rui Rezende estava internado no Rio de Janeiro há dez dias; Retiro dos Artistas confirmou a morte do veterano ator
O ator Rui Rezende, eternizado pelo papel do Lobisomem na novela "Roque Santeiro", morreu neste domingo (12), aos 88 anos. A causa da morte não foi divulgada, mas o artista estava internado em um hospital no Rio de Janeiro há cerca de dez dias, desde 2 de julho. A informação foi confirmada pelo Retiro dos Artistas, instituição onde ele vivia desde 2019. Em nota, a entidade destacou que "a história de Rezende seguirá viva em sua obra, em seu legado e no coração de todos que tiveram o privilégio de conhecê-lo".
Nas redes sociais, a morte do veterano gerou comoção entre colegas de profissão. Nomes como Ary Fontoura, Marcos Palmeira, Miguel Falabella, José de Abreu, Drica Moraes, Paulo Betti e Beth Goulart prestaram homenagens, lembrando o talento e a personalidade marcante do ator, além de agradecerem por sua contribuição à arte brasileira.
O grande marco da carreira de Rui Rezende foi o professor Astromar Junqueira, na novela "Roque Santeiro" (1985), da TV Globo. Na trama, o personagem era presidente do Centro Cívico de Asa Branca, apaixonado por Mocinha, interpretada por Lucinha Lins, e alvo de boatos que se confirmaram sobre ele ser um lobisomem.
Em entrevista ao jornal Extra em maio deste ano, Rui Rezende relembrou o sucesso do papel, afirmando que sua origem no campo e seu jeito reservado deram o tom exato para a construção daquele que ele definiu como "um sujeito recuado da existência humana". Na mesma entrevista, o veterano refletiu sobre sua trajetória e personalidade.
Rui Rezende admitiu que sua natureza introspectiva o impediu de fazer amigos profundos no meio artístico, restando-lhe apenas colegas, o que via não como um arrependimento, mas como uma constatação de quem era. Ele chegou a pontuar que, se pudesse voltar no tempo com a mentalidade de hoje, teria rompido essas barreiras e cometido menos erros.
Além de "Roque Santeiro", Rui Rezende construiu uma longa trajetória na televisão e no cinema entre as décadas de 1960 e 2020. Na TV, integrou o elenco de produções como "O Espigão" (1974), "O Casarão" (1976), "O Bem-Amado" (1981), "A História de Ana Raio e Zé Trovão" (1990), "Incidente em Antares" (1994), "Meu Bem Querer" (1998) e "Bang Bang" (2006). Seus últimos trabalhos na telinha foram participações na novela "Um Lugar Ao Sol" e na série "Bom Dia, Verônica", ambas em 2021.
No cinema, destacou-se em longas como "Menino Maluquinho 2" (1998), "Narradores de Javé" (2003), "Noel - Poeta da Vila" (2006), "A Grande Família - O Filme" (2007) e "O Segredo dos Diamantes" (2014).
Rui Rezende deixa um legado extenso no audiovisual brasileiro, com décadas de trabalho que atravessaram gerações e marcaram a memória do público e de colegas de profissão.