Rota mata 4 suspeitos em buscas por atirador que feriu tenente irmão de Eloá

Ronickson dos Santos é irmão de Eloá Pimentel, jovem assassinada pelo ex-namorado em 2008
A Rota matou quatro homens durante buscas por suspeitos do ataque ao tenente Ronickson Pimentel dos Santos, em São Paulo
A Rota (Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar) matou quatro homens até esta quinta-feira (9) durante as buscas por suspeitos envolvidos na tentativa de homicídio do tenente Ronickson Pimentel dos Santos.
As mortes ocorreram em diferentes regiões do estado de São Paulo e as circunstâncias de cada caso seguem sob investigação da Polícia Civil.
Dos quatro mortos, dois não apresentam indícios de ligação com o crime. Um deles chegou a ser apontado como suspeito pela PMESP (Polícia Militar do Estado de São Paulo), que posteriormente descartou a suspeita. Os outros dois são indicados como participantes do atentado, mas as investigações ainda prosseguem.
Prisões e foragido
Até o momento, três homens foram presos por envolvimento no atentado. Um quarto suspeito, apontado como o responsável pelos disparos contra a vítima, está foragido e foi incluído na lista vermelha da Interpol (Organização Internacional de Polícia Criminal).
A operação da Rota
A primeira morte ocorreu no dia 1º de julho, após o recebimento de uma denúncia anônima sobre a suposta participação de um homem no ataque contra Ronickson. Agentes da Rota se deslocaram até a região de Guaianases, na zona Leste de São Paulo.
Segundo o registro da ocorrência, os policiais foram recebidos a tiros ao chegarem ao local, reagiram e balearam o homem. Ele foi socorrido, mas não resistiu aos ferimentos. No dia seguinte, a PM informou em nota que não atribuía ao indivíduo a condição de suspeito de envolvimento no crime.
Ainda no dia 2 de julho, em Peruíbe, no litoral Sul de São Paulo, outro homem apontado pela PM como suspeito e integrante do PCC (Primeiro Comando da Capital) foi morto durante uma ação da Rota.
Segundo o boletim de ocorrência, as equipes estavam atrás de Elenilson Misael da Silva, conhecido como "Galego", de 47 anos, quando localizaram a caminhonete em que ele estava. Ao anunciar a ação policial, o motorista tentou fugir. A perseguição terminou no bairro Ribamar, após o suspeito ser baleado. Ele foi socorrido à UPA (Unidade de Pronto Atendimento) da cidade, mas morreu.
A polícia não informou qual seria exatamente a ligação dele com o atentado contra o tenente. Com ele foram apreendidos uma pistola calibre .380 com 13 munições e o veículo.
Pouco mais de uma semana depois, outros dois homens foram mortos em ação policial. Nesta quinta-feira (9), a Rota estava atrás de Marcelo Jesus Dias, conhecido como "Nego Zum", suspeito de pilotar a motocicleta utilizada no momento da tentativa de homicídio.
Os agentes se encaminharam à comunidade de Heliópolis, na zona Sul de São Paulo, onde o homem estaria escondido. Segundo a PM, durante uma tentativa de abordagem, os dois indivíduos reagiram e houve troca de tiros. Marcelo e outro homem que estava com ele, ainda não identificado, foram baleados, socorridos e morreram.
Investigação e recompensa
As circunstâncias das mortes seguem sob investigação da Polícia Civil. A CNN Brasil solicitou uma nota sobre os casos para a SSP (Secretaria de Segurança Pública), mas não obteve resposta até o momento.
Dos três presos, dois teriam dado apoio logístico e de transporte no dia do atentado e foram detidos no dia seguinte ao crime. O terceiro, preso na terça-feira (7) em Heliópolis, teve a prisão temporária decretada e confessou ter sido o responsável por se livrar da moto utilizada pelos autores do ataque.
O quarto suspeito, Hércules da Costa Siqueira, conhecido pelos apelidos de "Golias" e "Peruca", está foragido desde o dia 2 de julho, após ter a prisão temporária decretada pela Justiça. Ele é apontado como o autor dos disparos contra a vítima e também foi incluído na lista vermelha da Interpol.
Segundo informações de inteligência, há um "risco concreto" de fuga do suspeito para o exterior, inclusive por rotas irregulares de fronteira.
No domingo (5), a Polícia Civil de São Paulo divulgou um cartaz com o rosto de Hércules e ofereceu uma recompensa de R$ 50 mil por informações que ajudem a localizá-lo. As informações podem ser fornecidas de forma anônima pelo telefone 181 ou pelo portal da Secretaria da Segurança Pública.
O ataque e o estado de saúde do tenente
O ataque contra o oficial ocorreu na manhã do sábado, dia 27 de junho, na avenida Goiás, em São Caetano do Sul, na Grande São Paulo. Ronickson estava de folga, à paisana, e havia acabado de sair de uma academia.
Imagens de câmeras de segurança registraram o momento em que ele aguardava a abertura de um semáforo em sua moto quando foi surpreendido por dois homens em outra motocicleta. O tenente foi resgatado pelo Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) e transportado ao hospital pelo helicóptero Águia da PM.
De acordo com a última atualização, o tenente de 39 anos foi submetido, na manhã desta quinta-feira (9), a um procedimento de traqueostomia no Hospital Estadual Mário Covas, em Santo André. Segundo boletim do hospital, a cirurgia ocorreu sem intercorrências e sem sangramentos. O oficial retornou ao leito de UTI, onde permanece em estado grave, estável e respondendo aos cuidados de terapia intensiva.
Ronickson segue estável do ponto de vista hemodinâmico, com medicação de suporte em dose baixa, sem febre, com diurese presente e função renal estável, seguindo em tratamento antibiótico e recebendo dieta enteral por sonda.
Ronickson é o irmão mais velho de Eloá Pimentel, jovem de 15 anos assassinada em 2008 pelo ex-namorado Lindemberg Alves, após ser mantida refém por mais de 100 horas em um caso de grande repercussão na imprensa.