5 cidades da Grande BH têm pior conversão de impostos em bem-estar público

Rio das Velhas passando entre os bairros Paciência e Arraial Velho na cidade de Sabará
Cinco municípios da Grande BH lideram o ranking negativo do Retornômetro, que mede a conversão de impostos em bem-estar público
Em Minas Gerais, as cidades que menos convertem impostos em bem-estar para a população estão na Região Metropolitana de Belo Horizonte. A conclusão é do Retornômetro, um índice desenvolvido pelo grupo Assertif em parceria com um economista da Universidade Federal de São Paulo (USP) para medir a eficiência dos municípios brasileiros em transformar arrecadação tributária em resultados concretos para a população.
O Retornômetro considera municípios com mais de 50 mil habitantes e utiliza uma escala de 0 a 1.000 pontos — quanto maior a pontuação, melhor o desempenho. Dos 396 municípios pesquisados no Brasil, Belo Horizonte figura entre os 20 melhores e lidera o ranking estadual, com 589 pontos. No cenário nacional, Osasco ocupa o primeiro lugar, com 783,3 pontos. Na outra ponta, o pior município avaliado no país foi Bayeux, na Paraíba, com apenas 99,4 pontos.
Apesar do bom desempenho da capital mineira, as cinco piores cidades do estado estão nas suas proximidades, todas na Região Metropolitana de Belo Horizonte:
- Esmeraldas registra a pior pontuação do estado, com apenas 253,5 pontos, ocupando a lanterna do ranking mineiro.
- Ribeirão das Neves aparece na sequência, com 318 pontos, também bem abaixo da média estadual.
- Vespasiano soma 408,5 pontos, figurando entre as cidades com menor retorno tributário da região.
- Santa Luzia pontua 411,4, demonstrando dificuldades semelhantes na conversão de impostos em serviços públicos.
- Sabará fecha o grupo das cinco piores, com 422,1 pontos.
O índice é estruturado em três eixos principais, cada um com pontuações que variam de 0 a 1: "Viver" (saúde, educação, saneamento e segurança), "Prosperar" (emprego, renda e desenvolvimento econômico) e "Governar" (gestão fiscal, transparência e capacidade administrativa). A pesquisa é baseada em fontes oficiais, como IBGE, FINBRA, Ministério da Saúde, Ministério da Educação e outras bases governamentais.
Em Minas Gerais, a análise do Retornômetro revela que o eixo "Prosperar" é o mais fraco do estado. Nenhum município mineiro ultrapassa a pontuação de 0,27 nesse eixo, o que indica que a geração de emprego, renda e desenvolvimento econômico representa a principal barreira estrutural do estado.
As médias por eixo em Minas Gerais são:
- Viver — 0,74 — Ponto forte do estado
- Governar — 0,51 — Desempenho mediano
- Prosperar — 0,16 — Gargalo estrutural
"O Retornômetro oferece uma medida objetiva para um debate que normalmente é conduzido por percepções. Pela primeira vez conseguimos comparar, de forma padronizada, onde os impostos estão gerando mais retorno para a população e onde ainda existem gargalos importantes", afirma José Guilherme Sabino, CEO do Grupo Assertif. "O índice não busca apontar culpados, mas oferecer um instrumento técnico para orientar políticas públicas e identificar experiências que podem ser replicadas. O objetivo é transformar dados em uma ferramenta de gestão e transparência", acrescenta Sabino.
O porte não define a qualidade da gestão
Um dos dados mais relevantes do Retornômetro é que a eficiência na gestão do dinheiro público não está diretamente relacionada ao tamanho da cidade. Dos 47 municípios pesquisados em Minas Gerais, os 22 com população entre 100 mil e 300 mil habitantes apresentaram o pior índice médio final: 490,6 pontos. Já as 17 cidades com até 100 mil habitantes registraram média de 504,3 pontos, enquanto as oito cidades com mais de 300 mil habitantes alcançaram média de 502,3 pontos.
As cidades de médio porte fora da região metropolitana concentram os melhores resultados no eixo "Viver" e sustentam a média geral do estado. Ipatinga, por exemplo, lidera entre os municípios de 100 mil a 300 mil habitantes no eixo "Viver", com pontuação de 0,838. Pará de Minas, com menos de 100 mil habitantes, alcança 0,886, enquanto Uberaba, com mais de 300 mil habitantes, registra 0,780.
As cinco melhores cidades de Minas Gerais no Retornômetro são:
- 1º Belo Horizonte: 589 pontos
- 2º Uberlândia: 588,1 pontos
- 3º Ipatinga: 560,2 pontos
- 4º Pará de Minas: 557,3 pontos
- 5º Divinópolis: 556 pontos
O Retornômetro reforça que a eficiência na conversão de tributos em bem-estar público varia significativamente entre os municípios mineiros, com a Região Metropolitana de Belo Horizonte concentrando tanto o melhor quanto os piores desempenhos do estado, enquanto o desenvolvimento econômico segue como o principal desafio a ser superado em Minas Gerais.