PT aposta em candidatura própria em Minas mesmo sem consenso

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Cúpula do PT e Lula decidem enfrentar o antipetismo em Minas com candidatura própria, mesmo sem consenso interno no partido
Apesar da ausência de consenso interno e de a ideia inicial do presidente Lula ser diferente, a cúpula do PT em Minas Gerais e o chefe do Executivo federal decidiram que o Partido dos Trabalhadores deve apresentar candidatura própria no Estado nas próximas eleições. Legendas aliadas que defendem uma composição e até alguns integrantes do próprio PT avaliam que a decisão pode ser um equívoco, já que o antipetismo ganhou novos contornos em Minas após a gestão do ex-governador Fernando Pimentel. Diante desse cenário desfavorável, a pergunta que fica é: por que o PT insiste em lançar candidatura própria?
A resposta, apurada com integrantes da legenda, aponta para uma avaliação de que este é o momento certo para o partido enfrentar o estigma deixado pela última gestão petista no Estado. As dificuldades financeiras, marcadas por atraso e parcelamento de salários e pelos atrasos nos repasses às prefeituras, fizeram com que Pimentel não fosse reeleito e deixasse o Palácio Tiradentes com alto índice de rejeição. Para os defensores da candidatura própria, ter o presidente Lula como candidato à reeleição cria o cenário ideal para apresentar um nome petista e impulsionar sua votação em Minas. "É agora ou nunca", afirmou uma das fontes consultadas.
O plano é recolocar o PT no jogo político mineiro, enfrentando a mácula que assombra a sigla desde 2018. Petistas mais engajados avaliam que ficar fora da disputa e permanecer sem defender o próprio legado seria injusto com o partido. Internamente, muitos também entendem que o próprio Pimentel, em vez de permanecer em silêncio, deveria ter defendido seu governo, principalmente com o argumento de que o principal desafio enfrentado foi a dívida do Estado com a União, questão que acabou sendo resolvida durante o governo Lula. Esse entendimento reforça a tese de que o PT precisa retomar a narrativa sobre sua atuação em Minas.
Outro fator que contribuiu para convencer o presidente Lula foi o fato de que os nomes alternativos apresentados a ele ou não o agradaram ou eram totalmente desconhecidos do grande público. Após a negativa do senador Rodrigo Pacheco (PSD) e da ex-prefeita Marília Campos (PT), permanecem na mesa os nomes dos deputados federais Paulo Guedes (PT), Patrus Ananias (PT) e Reginaldo Lopes (PT), além da ex-reitora da UFMG Sandra Goulart (PT). Apesar de ainda ser pouco conhecida do grande público, os defensores de Sandra Goulart afirmam que a pré-candidata tem potencial e carrega a bandeira da educação, além da credibilidade associada a uma instituição respeitada como a UFMG. A posição do PT fica clara na fala de uma das fontes ouvidas: "Se é para participar da eleição apoiando um candidato de outro partido que não tem traço na pesquisa, preferimos apostar em um nome nosso".